Título: Michelin vai abrir fábrica no Rio
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 14/01/2009, Economia, p. 21
Crise pode levar grupo a demitir, apesar do investimento de R$400 milhões.
Dependendo do desenrolar da crise financeira global, a Michelin não descarta demissões. O Brasil, no entanto, como está num mercado considerado em expansão, não deverá ser atingido num primeiro momento. Tanto assim que, ontem, o presidente para a América do Sul da Michelin, Luiz Fernando Beraldi, assinou, no Palácio Laranjeiras, protocolo de intenções para instalar uma fábrica em Itatiaia, no Sul Fluminense, na presença do governador Sérgio Cabral. Os investimentos chegam a R$400 milhões.
- É claro que a crise preocupa a todos, mas esta fábrica foi anunciada em outubro passado pelo presidente mundial do grupo, Michel Rollier, durante o Salão de Carros, em Paris, e, desde então, não fizemos nenhum ajuste no investimento - lembrou Beraldi, admitindo, no entanto, que a empresa está "usando todos os expedientes, como banco de horas e férias coletivas, para não demitir". - Mas tudo vai depender da evolução da crise.
BNDES e bancos europeus podem ser procurados
A linha de produção da nova fábrica de Itatiaia será de pneus de passeio, voltada basicamente para o mercado interno. Beraldi não descarta ainda a possibilidade de recorrer a recursos do BNDES e mesmo de bancos europeus. Só que o grosso do dinheiro será de recursos próprios. A nova fábrica da Michelin será a quinta unidade de produção no país. Das quatro já instaladas, duas ficam em Itatiaia e as outras duas, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.
Apesar da nova fábrica, a crise está obrigando o grupo a rever investimentos, especialmente nos mercados mais atingidos pela crise e onde o grupo tem "menos visibilidade", o que não é o caso brasileiro. Até porque, diz Beraldi, a taxa de crescimento aqui é superior a de mercados mais maduros.
O executivo preferiu manter segredo sobre o volume de produção da nova fábrica, mas disse que a Michelin vai criar 200 empregos. A fábrica deve entrar em operação no segundo semestre de 2011.
País tem 70% do faturamento na América do Sul
Beraldi preferiu manter segredo também sobre o resultado de 2008, que será anunciado em fevereiro. Em 2007, o grupo faturou 16 bilhões. A América do Sul responde por 7% desse faturamento, dos quais 70% vêm do Brasil.