Título: Petrobras: exportação maior, mas déficit no ano
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 14/01/2009, Economia, p. 21
Em dezembro, vendas somaram 620 mil barris diários. Mas balança comercial terá déficit pela 1ª vez desde 2005.
RIO, SÃO PAULO e BRASÍLIA. A Petrobras anunciou ontem ter batido o recorde nas exportações de petróleo em dezembro passado, quando atingiram 620 mil barris por dia, contra os 574 mil barris diários do recorde anterior registrado em outubro de 2008. Apesar disso, a empresa deverá amargar um déficit no saldo da balança comercial com o exterior de petróleo e derivados no ano passado. Até novembro último, o déficit acumulado era de US$1,1 bilhão, bastante superior às vendas de petróleo, que representaram um faturamento de US$574 milhões. Se confirmado, será o primeiro déficit da Petrobras desde 2005.
O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que, com as exportações de dezembro, o Brasil superou algumas nações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como o Equador, que vende em média 400 mil barris por dia.
- Foi um grande esforço feito pela companhia, e o resultado é fabuloso - disse Costa.
Ele preferiu não fazer previsões, afirmando que os números finais só serão fechados amanhã. Costa disse que ainda faltam os dados das exportações de derivados como gasolina e óleo combustível:
- Precisamos aguardar fechar os números. Mas o importante foi o recorde de exportação de petróleo - disse.
O especialista Adriano Pires Rodrigues prevê que a balança comercial da Petrobras fechará com déficit. Isto porque no ano passado as importações de óleo diesel foram fortes pelo crescimento da economia e para o uso nas térmicas, e os preços até meados do ano estavam muito elevados.
Estatal poderá rever política de preços, diz diretor
Em São Paulo, Costa disse ontem que a estatal poderá rever sua política de preços dos combustíveis quando o preço do barril de petróleo no mercado internacional ficar mais estável. Apesar dos preços atuais do barril estarem, em média, US$100 abaixo dos valores registrados no ano passado, Costa não revelou se os valores dos combustíveis seriam reajustados para baixo. Segundo ele, a política de preços da companhia para o consumidor é de longo prazo e não de repasses baseados na volatilidade dos mercados.
- Quando a Petrobras entender que vamos ter um patamar adequado, pode ter um ajuste de preço - disse ele, lembrando que, quando os preços estiveram em US$147 o barril, a estatal não reajustou seus preços na bomba.
Costa disse ainda que o atual patamar de preço do barril de petróleo no mercado internacional (hoje em torno de US$40) terá que subir para compensar os investimentos em produção e atender a demanda global pelo combustível.
Já o grupo britânico BG, sócio da Petrobras no campo de Tupi, vai investir no país US$4 bilhões na área do pré-sal. Representantes do grupo se reuniram ontem com o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, para anunciar os investimentos.
COLABORARAM Lino Rodrigues e Mônica Tavares