Título: Na Itália, pedido de rompimento com o Brasil
Autor: Éboli, Evandro; Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 17/01/2009, O País, p. 5

Já vice-prefeito de Milão quer que jogadores brasileiros intercedam.

ROMA. O vice-presidente da bancada governista do PDL (Povo da Liberdade) na Câmara dos Deputados da Itália, Italo Bocchino, cogitou ontem a hipótese de seu país interromper as relações com o Brasil, em resposta à decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder refúgio político a Cesare Battisti.

- A Itália deve avaliar a conveniência de interromper as relações com o Brasil - afirmou Bocchino, acrescentando: - A decisão do governo sul-americano é gravíssima do ponto de vista jurídico, mas sobretudo é inaceitável do ponto de vista diplomático, assemelhando-se a uma ofensa ao nosso país e à sua civilidade jurídica, premiando um homem que cometeu crimes gravíssimos e que deveria estar em uma prisão italiana.

Desde o anúncio da concessão de status de refugiado político a Battisti, vários políticos da Itália manifestaram repúdio. O vice-prefeito de Milão, Riccardo De Corato, pediu aos italianos que boicotem os produtos brasileiros, enquanto o senador Sergio Divina, vice-presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado da Itália, recomendou evitar o Brasil como destino turístico.

Prefeito pede que jogadores brasileiros intercedam

Riccardo De Corato disse que "seria bonito" se os jogadores brasileiros na Itália intercedessem junto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para rever a decisão de Tarso Genro:

- Boicotar os produtos brasileiros e cancelar as viagens ao Brasil são instrumentos úteis de pressão. Mas os muitos brasileiros na Itália, que fizeram fortuna como jogadores, poderiam dar uma contribuição importante, começando com os craques do time do Milan e do Internazionale - pediu o vice-prefeito, do PDL.

Entre os atletas brasileiros que jogam nesses dois times estão Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato, no Milan, e Júlio Cesar e Adriano, no Inter.

- Não se trata de uma comissão esportiva-política, mas de gestos de empenho civis, que têm um significado profundo e podem contribuir para uma revisão da decisão - disse o político.

Para De Corato, "é necessário utilizar todas as formas democráticas para fazer o governo brasileiro mudar a decisão e consentir a extradição do terrorista e homicida Cesare Battisti".

Com agências internacionais