Título: Garibaldi manda carta a senadores pedindo apoio à sua candidatura
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 09/01/2009, O País, p. 4

No texto, ele lembra que Sarney já "declinou enfaticamente do convite".

BRASÍLIA. Numa ofensiva para tentar neutralizar a ação do Palácio do Planalto, que passou a trabalhar nos bastidores pela candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado, o atual presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), enviou ontem carta aos 80 senadores em que reafirma sua candidatura e pede o apoio dos colegas para tentar a reeleição. A carta teve o claro objetivo de criar constrangimentos ao senador Sarney. Num trecho grifado, Garibaldi afirma que o PMDB chegou a "convocar o senador José Sarney", mas que ele "declinou enfaticamente do convite".

Garibaldi diz que só se lançou candidato depois da recusa de Sarney. Nos últimos dias, com o crescimento do consenso em torno de Sarney, o presidente da Casa telefonou para o companheiro de partido para garantir que o apoio ao seu nome continuava firme. Na carta, Garibaldi responde aos ataques de senadores e integrantes do governo e do seu partido sobre a fragilidade jurídica de sua candidatura.

Para o Planalto, ato de desespero

No texto, ele defende a legalidade da sua reeleição ao lembrar que, num passado recente, o próprio Senado admitiu a recondução em Legislatura seguinte. Segundo o senador potiguar, a Casa entendeu que a Constituição deveria ser interpretada e aplicada sob as circunstâncias do momento. Garibaldi acrescentou que o Senado é autônomo para decidir de acordo com seus critérios de conveniência política. Ele registrou pareceres de vários juristas pela legalidade de sua candidatura.

No Planalto, a carta foi vista como ato de desespero. A avaliação palaciana é que a candidatura à reeleição do presidente do Senado desidrata rapidamente com a possibilidade concreta de Sarney aceitar entrar na disputa. Em momento de crise internacional, a percepção no núcleo do governo é que é preciso manter um clima de estabilidade política no Congresso, e que Sarney teria o perfil ideal.

Na carta, Garibaldi lança suas plataformas para a Casa, prometendo empenho na mudança do rito das medidas provisórias e na apreciação dos vetos presidenciais pelo Congresso.

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