Título: Esporte teve perda de 95% dos recursos
Autor: Alvarez, Regina
Fonte: O Globo, 28/01/2009, O País, p. 3
Minc aposta em emendas parlamentares para atenuar queda de 79% das verbas.
BRASÍLIA. O bloqueio de R$37,2 bilhões nos recursos do Orçamento será detalhado na primeira reunião ministerial do ano, convocada pelo presidente Lula para a próxima segunda-feira - e promete movimentá-la. A pauta oficial é a crise econômica, o impacto das medidas já tomadas pelo governo para enfrentá-la e as próximas ações, mas, a pedido de Lula, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, fará uma exposição do Orçamento, explicando o bloqueio preventivo de gastos com custeio e investimentos anunciado ontem. Alguns ministérios tiveram o limite de gastos reduzido em até 95%, como é o caso do Turismo e Esportes, mas a reação dos ministros, ontem, foi cuidadosa.
Paulo Bernardo já vem administrando a revolta de alguns colegas com os cortes no Orçamento desde que a lei foi aprovada no Congresso, em dezembro, já que a proposta do Executivo foi bastante modificada para acomodar as emendas dos parlamentares. Agora, o desafio será convencer os ministros de algumas áreas - que não envolvem gastos sociais e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - de que cabe a eles o sacrifício maior na divisão das verbas do Orçamento:
- Vamos arrumar o Orçamento para atender as prioridades e o novo quadro (econômico), estimulando a manutenção do emprego e o crescimento. Vamos tentar não desagradar a todo mundo, mas não tem a menor possibilidade de agradar a todos.
A notícia do bloqueio de recursos do Orçamento pegou os ministérios de surpresa, mas as reações foram moderadas. O ministro do Esporte, Orlando Silva, cuja pasta teve 94,5% dos recursos bloqueados, não quis se manifestar, informando por meio da assessoria que prefere aguardar a reunião ministerial e a orientação do presidente Lula. Já o Ministério do Turismo - que teve 95,6% das verbas bloqueadas - preferiu minimizar a decisão: "Não houve corte orçamentário e, sim, contingenciamento, o que é usual. Foram liberados recursos para serem utilizados até março, quando será editada a programação orçamentária e financeira para o restante do ano", justificou a assessoria do ministro Luiz Eduardo Barreto Filho.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que perdeu 79% do orçamento da pasta, participava de uma operação no interior de Rondônia e só soube do corte quando retornou. No avião de volta a Brasília, ele recebeu uma ligação do colega Guido Mantega (Fazenda), mas já não podia atender. Ontem à noite, depois de fazer as contas com sua equipe, Minc disse que poderá recompor seu orçamento com recursos de emendas parlamentares.
- Não acho que o Meio Ambiente será seriamente atingido. Conversei com o meu secretário administrativo. Vamos ter uma queda inferior a 10% no primeiro trimestre, se a gente conseguir recompor com, por exemplo, emendas coletivas.
Minc evitou "botar mais lenha na fogueira" na briga com Reinhold Stephanes (Agricultura). Depois que as divergências entre os dois inviabilizaram o grupo de trabalho que discutia alterações no Código Florestal, será criado um novo grupo, com coordenação da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Minc disse que o problema com Stephanes está resolvido e que a entrada de Dilma no processo é positiva:
- A companheira Dilma me ajudou muito. Temos uma relação muito boa. Nenhuma obra do PAC está atrasada por falta de licença ambiental.
*A repórter viajou a convite do Ministério do Meio Ambiente