Título: Emprego na indústria paulista tem pior resultado desde 1994, diz Fiesp
Autor: Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 27/01/2009, Economia, p. 22
Setor perdeu entre outubro e dezembro todas as vagas criadas até setembro.
SÃO PAULO. A indústria paulista demitiu 130 mil trabalhadores somente em dezembro, depois de já ter dispensado 30 mil em novembro. O dado foi divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e representou o pior resultado mensal desde que a Fiesp iniciou a série de pesquisas sobre o nível de emprego no setor, em 1994. No acumulado do ano, o índice de emprego industrial da Fiesp fechou em queda de 0,27%, com saldo negativo (diferença entre contratações e dispensas) de sete mil postos de trabalho em relação a dezembro de 2007.
Na prática, a indústria paulista perdeu entre outubro e dezembro todos os empregos criados ao longo do ano até setembro. Em dezembro, ainda, foi a primeira vez em que todos os 21 setores pesquisados pela entidade demitiram mais do que contrataram em um único mês.
- Os efeitos da crise começaram em setembro, mas em três meses perdemos todos os postos que geramos até então. Essa crise tem demonstrado uma extrema velocidade na mudança, e uma violência sem precedentes na queda dos índices de emprego - disse Paulo Francini, diretor do departamento de economia da Fiesp, cuja previsão era de um aumento modesto, de 2%, nos empregos do setor em 2008.
Ao contrário de outras crises, as empresas agora não esperaram para saber o tamanho da queda nos negócios antes de demitir. O setor de veículos, com dependência de crédito, foi um dos que mais sofreu.
- As montadoras, sabendo disso, se protegeram (demitindo) - afirmou.
Das 130 mil demissões de dezembro, 61% foram realizadas pelo setor de açúcar e álcool.
Francini alertou que a indústria passa por acomodação antes de definir novo patamar de produção, que, segundo ele, será 20% menor que o pico de 2008. Ele considerou a atuação do governo em linha com a de outros países, mas criticou o Banco Central, que "agiu tardiamente".
Alta de inadimplência em empresas é maior desde 99
Influenciado pela crise, o número de empresas que não conseguiram honrar compromissos financeiros cresceu 36% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2007. Foi a maior alta desde 1999 segundo o "Indicador Serasa Experian de Inadimplência de Pessoa Jurídica" divulgado ontem. Em relação a novembro, o calote subiu 5,9%.
O resultado no último bimestre interrompeu uma sequência de queda iniciada em março, levando o índice a fechar 2008 com alta de 4,8% ante 2007.
Sem acordo em relação à proposta inicial de reduzir temporariamente jornada e salários, os presidentes da Fiesp, Paulo Skaf, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, divulgaram ontem manifesto em que reivindicam, essencialmente, a queda nos juros para manter empregos no país. Eles pedem que seja acelerada a queda da Taxa Selic para 8% ao ano e que haja redução drástica dos spreads bancários.