Título: Petrobras terá mais US$10 bi do BNDES
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 27/01/2009, Economia, p. 24

Assim como neste ano, companhia vai precisar recorrer a recursos do banco em 2010 para investir US$35 bi.

A Petrobras informou ontem que garantiu um novo empréstimo do BNDES, desta vez de US$10 bilhões, para fechar os investimentos programados para 2010, que somam US$35 bilhões, segundo José Sergio Gabrielli, presidente da empresa. Na última sexta-feira, a estatal já havia anunciado para este ano um financiamento de US$11,9 bilhões do banco de fomento, que recebera injeção de R$100 bilhões do Tesouro Nacional na véspera tendo como objetivo central não deixar a Petrobras sem dinheiro para investir.

O desembolso previsto para 2010 é ainda mais ambicioso do que os US$28,6 bilhões que serão investidos este ano. Ambos os valores integram o plano de negócios de US$174,4 bilhões que cobre até 2013.

- Para o próximo ano, a necessidade de captação é da ordem de US$18 bilhões. Como já temos US$10 bilhões do BNDES, só falta fechar a captação de US$8 bilhões. Estamos equacionados em termos de recursos para estes dois anos mais cruciais - destacou Almir Barbassa, diretor Financeiro da Petrobras.

Empresa anuncia grande descoberta de gás em Santos

A Petrobras prevê que o preço do petróleo deve ficar, na média, em US$37 o barril este ano, subindo a US$40 no próximo. Segundo Barbassa, se a cotação ficar na faixa de US$40 a US$60 nos próximos cinco anos, a geração de caixa da Petrobras será entre US$120 bilhões a US$150 bilhões, próximo do total do plano de negócios. Gabrielli garantiu que os elevados investimentos não representam risco, como temem alguns especialistas:

- Evidentemente que não comprometerá a saúde financeira da companhia. Elevar o endividamento é inevitável, mas em padrões estáveis e saudáveis. Não estamos aumentando de forma irresponsável as dívidas da companhia. O investimento é robusto e tem um papel importante para superar a crise atual.

No primeiro dia útil após a divulgação do plano, a reação dos investidores foi positiva: as ações ordinárias (ON, com direito a voto) tiveram alta de 1,24% e as preferenciais (PN, sem voto), de 0,89%. O adjetivo "agressivo" foi quase uma unanimidade nos relatórios distribuídos aos clientes. A percepção geral foi que a Petrobras exagerou no aumento de 55% nos investimentos.

Gabrielli destacou que a empresa usará todas as forças para reduzir custos.

Os investimentos da companhia vão garantir a manutenção de um milhão de empregos por ano e contribuir com R$309 bilhões por ano, cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

A Petrobras anunciou ontem ainda ter descoberto reservas de gás natural em águas rasas na parte sul da Bacia de Santos, no litoral de São Paulo, a 210 quilômetros da costa. A estatal tem 63% e a Repsol outros 37% na exploração do bloco BMS-7, onde descobriram o insumo acima da camada de sal. A descoberta fica a 70 quilômetros do campo de gás de Merluza.

A Transpetro, empresa de logística da Petrobras, divulgou ontem a classificação dos estaleiros que disputam a construção de seus dez navios petroleiros no país. Os estaleiros do Rio ficaram para trás na disputa. O Eisa, da Ilha do Governador, ficou em segundo lugar na briga por sete navios, atrás do Estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco. Já o Mauá, de Niterói, que concorre a outros três navios, teve sua proposta recusada e precisará fazer uma nova oferta.

COLABORARAM:Bruno Villas Bôas e Felipe Frisch