Título: Lula vê ganância em pressão sobre Furnas
Autor: Camarotti, Gerson; Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 28/02/2009, O País, p. 10
Presidente, em reunião, se irrita com comportamento da bancada do PMDB no Rio; servidores ameaçam greve.
BRASÍLIA e RIO. Mais do que a determinação de adiar por tempo indefinido mudanças na direção da Fundação Real Grandeza, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vociferou, nos bastidores, com o que classificou de "ganância sem limite" da bancada do PMDB do Rio na Câmara dos Deputados. Relatos de auxiliares diretos do presidente indicam que ele se convenceu de que esse grupo tentava mesmo, pela terceira vez, assumir o controle do fundo de pensão dos funcionários de Furnas, com patrimônio avaliado em cerca de R$6,3 bilhões.
Cunha: "Eu virei a Geni desse processo"
Lula tem informações de que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez pressão pela substituição da diretoria do fundo. Mas a avaliação no núcleo do governo é que, mesmo insatisfeito com o episódio, o Planalto precisa evitar uma briga direta com esse grupo. Até porque esses deputados ficaram fortalecidos com a eleição do novo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e isso poderia afetar a governabilidade.
Cunha negou ontem que tenha atuado neste sentido:
- Não pedi para ninguém do governo que fosse mudada a direção do fundo. Muito menos ao presidente Lula. Agora, todo mundo me culpa. Eu virei a Geni desse processo!
Diante da posição de Lula, os funcionários e aposentados de Furnas estão de prontidão. Depois de o conselho deliberativo da Fundação Real Grandeza ter retirado de pauta a proposta de mudança na direção do fundo, os funcionários esperam um compromisso formal da estatal de que nenhuma mudança será proposta até outubro.
- Não é mais apenas uma questão de Furnas. Ao nosso ver, abrir esse precedente no fundo significa abrir o cofre de todos os fundos de pensão. Se Furnas insistir na mudança, vamos ter mobilização mais forte, que pode resultar em uma greve - disse Magno dos Santos Filho, presidente do Sindicato dos Eletricitários do Rio.
Tânia Vera, presidente da Após Furnas, associação de aposentados da estatal, reafirma a cobrança:
- Queremos o compromisso de Furnas.
A direção da estatal se reúne terça-feira para discutir o assunto e, quarta, se encontra com os sindicatos.
A atual gestão da Real Grandeza reagiu ontem à informação do Ministério de Minas e Energia de que planeja pedir auditoria no fundo de pensão à Controladoria Geral da União (CGU). A fundação afirma que é alvo de fiscalização permanente e que fornece informações à Comissão de Valores Imobiliários (CVM)
- Que venha a CGU - disse o presidente, Sérgio Wilson.