Título: Governo dos EUA amplia fatia no Citi para 36%
Autor: Scofield Jr., Gilberto; Frisch, Felipe
Fonte: O Globo, 28/02/2009, Economia, p. 25

Acordo não envolve mais injeção de dinheiro público. Presidente do banco no Brasil nega mudança em operações.

WASHINGTON e RIO. O governo dos Estados Unidos e o Citibank anunciaram ontem acordo em que o governo amplia a participação no capital do banco de 8% - fatia obtida após o Tesouro ter injetado US$45 bilhões em dois socorros ao banco no ano passado - para 36%. A operação, com o claro objetivo de dar credibilidade a uma instituição à beira da insolvência, não caracteriza a discutida nacionalização do Citi. Mas transforma o governo de Barack Obama em seu maior acionista individual.

O Citi divulgou ainda que registrou perda contábil de US$9,6 bilhões no quarto trimestre diante da deterioração do mercado. Após a notícia, 1,6 bilhão de ações do banco foram negociadas na Bolsa de Nova York, recorde em um único dia. Os papéis do banco terminaram o dia em queda de 39%, a US$1,50, o menor valor dos últimos 18 anos. Em 2008, a ação perdeu 90% do valor. O movimento puxou para baixo a Bolsa. O índice Dow Jones caiu 1,66%. Já o Nasdaq teve queda de 1,98%, e o S&P 500, de 2,36%.

A operação não envolverá novas injeções de dinheiro público. O Citibank converterá US$25 bilhões em ações preferenciais já nas mãos do governo em ações ordinárias com direito a voto. A pedido do Tesouro, o banco vai convencer um grupo de grandes acionistas individuais a converterem outros US$27,5 bilhões em ações preferenciais para ampliar o capital total. O valor pago pela ação será de US$3,25, um prêmio de 32% em relação ao preço de US$2,46 que fechou na quinta-feira. No fim da operação, o Tesouro terá 36% no capital e o grupo de acionistas privados, 26%. O restante ficará pulverizado no mercado.

- O acordo tem o objetivo de aumentar o capital do banco - afirmou Vikram Pandit, presidente do Citibank. - Desta forma, manteremos o Citibank operando sem maiores traumas, com um capital fortalecido e sob a mesma gerência.

Não é bem assim. O acordo determina que parte do conselho diretor do banco seja substituído por gente de fora, exigência do futuro presidente do conselho de administração da instituição, Richard Parsons, de confiança de Obama e que vai tocar o banco em seu novo formato acionário.

Citi está de olho em eficiência no Brasil

E o banco ainda terá que se submeter ao chamado "teste de estresse", que vai medir sua chance de sobreviver a cenários de desaceleração econômica.

O presidente do Citi no Brasil, Gustavo Marin, disse que nada muda nas operações do banco no país. Ele negou que a empresa esteja negociando a venda, sequer de uma fatia, para algum grande grupo financeiro brasileiro, como circula no mercado. Ele disse ainda que não há planos de demissões, embora tenha destacado que "toda empresa tem que olhar a eficiência".

Diante de falências de bancos, o FDIC, órgão que assegura depósitos bancários nos EUA, aumentou a US$27 bilhões o valor que bancos devem pagar para o fundo de seguro este ano, ante US$3 bilhões do ano passado.

(*) Correspondente