Título: Deputado do castelo deixa Mesa
Autor: Vasconcelos, Adriana; Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 09/02/2009, O País, p. 3

Para tentar salvar mandato, Edmar Moreira renuncia ao cargo de 2º vice da Câmara.

Acusado de omitir bens em sua declaração de renda - entre eles o suntuoso Castelo Monalisa, com 36 suítes triplex, avaliado em R$25 milhões -, o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) renunciou ontem ao cargo de 2º vice-presidente e corregedor da Câmara. Edmar foi convencido a tomar a decisão pelo presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP). Paralelamente à sua renúncia à Mesa da Câmara, o deputado mineiro ingressará no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma ação preventiva pedindo seu desligamento do DEM. Alegará que o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), já antecipou a disposição de expulsá-lo da legenda e convocou uma reunião da executiva para discutir o assunto amanhã.

Edmar ligou ontem, por volta das 20h, para Temer comunicando a renúncia. E avisou que mandaria por fax uma carta formalizando a decisão. Preocupado com o desgaste da instituição desde a eleição de Edmar para a 2ª vice-presidência, Temer vinha buscando uma saída para a crise instalada na Casa, não só pelas denúncias envolvendo o deputado mineiro, como por suas declarações contrárias à punição de colegas acusados de quebra de decoro parlamentar. A proposta inicial de Temer era aprovar já nesta semana um projeto separando o cargo de 2º vice-presidente da função de corregedor. Mas o DEM vetou a iniciativa, mesmo com a promessa de que poderia nomear o novo corregedor.

Com o aumento da pressão, e diante do argumento de que quem não pode ser corregedor também não serve para substituir o presidente da Câmara, Temer iniciou no fim de semana uma operação para convencer Edmar a renunciar à Mesa. Embora, pelo regimento interno, o deputado só possa ser afastado pela cassação de seu mandato em plenário, ele acabou cedendo às evidências de que o DEM poderia reivindicar seu mandato para o partido, após expulsá-lo da legenda.

- A renúncia é mais útil para você (Edmar Moreira), para a Mesa e para a Casa - argumentou Temer com o deputado mineiro, à tarde.

Raul Jungmann (PPS-PE) foi outro que conversou com Edmar:

- Sua permanência era politicamente inviável. Ele ia ser esmigalhado e triturado. Virou um para-raio.

"Foi um apelo da família", diz o filho

Edmar e o filho, o deputado estadual Leonardo Moreira (DEM-MG), passaram o fim de semana ligando para líderes para tentar esvaziar as denúncias. Mas ontem concluíram que renunciar seria a melhor saída.

- Foi um apelo da família. Ele (Edmar) é maior do que tudo isso. Mas está decidido. Depois de todas as mentiras que colocaram, não existe nenhuma justificativa que vá fazer alguma diferença - disse Leonardo.

Ele aproveitou para criticar o presidente do DEM, Rodrigo Maia:

- Ninguém toma mandato de boca, às margens da lei. Ele (Rodrigo Maia) não tem esse poder.

O DEM, na reunião da executiva, amanhã, usará o rito sumário para afastar Edmar do partido e requerer à Mesa a vaga de 2º vice, com base do regimento da Casa. Segundo o texto, os membros da Mesa perdem automaticamente o cargo se ocorrer mudança de legenda - a regra vale há dois anos. Nesse caso, faz-se nova eleição.

A suspeita de que Edmar possa ter direcionado sua verba indenizatória para beneficiar uma de suas três empresas de segurança levará PSOL e PPS a apresentar um projeto de resolução que obriga à divulgação das notas fiscais apresentadas pelos parlamentares para pedir ressarcimento. Só em 2008, Edmar usou com segurança pessoal R$140 mil dos R$180 mil a que tem direito para gastos no exercício do mandato. Caso o desvio se confirme, ele pode ser enquadrado no Conselho de Ética.