Título: Emprego na indústria tem maior queda em 7 anos
Autor: Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 10/02/2009, Economia, p. 21
No último trimestre do ano, o setor cortou 2,5% do pessoal. A folha de pagamento recuou 0,7% em dezembro.
Num reflexo direto do tombo de 20% na produção no último trimestre do ano passado, a indústria brasileira cortou 1,8% do seu pessoal em dezembro frente a novembro, na maior queda desde 2001, início da série histórica da pesquisa do IBGE, que divulgou ontem os números. Até agora, o corte de 0,7% em outubro de 2003 havia sido o pior. Três meses seguidos de demissões diminuíram em 2,5% o total de empregados. Até na comparação com os mesmos meses de 2007, que vinham em alta até novembro, o emprego no setor inverteu o sinal: caiu 1,1%, no primeiro recuo após dois anos e meio de expansão seguida. Foi a maior queda desde janeiro de 2004 (1,2%).
Em 2008, os números ainda ficaram positivos. Houve alta de 2,1%, quase igual à de 2007 (2,2%). Até setembro, no entanto, o emprego havia crescido 2,7%.
- Os números refletem a desaceleração forte da atividade industrial no quarto trimestre. A produção caiu quase 20% em três meses - disse Isabella Nunes Pereira, gerente do IBGE.
No Rio, setor empregou 1,3% mais puxado por construção
A folha de pagamento real (descontando a inflação) também sofreu os efeitos da crise. Em dezembro, perdeu 0,7% frente a novembro. Em três meses de redução, já encolheu 3,6% no seu valor real. No ano, ficou positiva em 6%, guardando os ganhos de 2008 e a inflação mais controlada nos últimos meses.
Os setores que lideraram o crescimento da produção e do emprego até setembro, como o de meios de transporte, máquinas e equipamentos e material de comunicações, diminuíram muito a contratação no fim do ano. Assim, não conseguiram compensar os cortes em setores que já vinham reduzindo pessoal ao longo de 2008 e, em dezembro, registraram queda - vestuário (8,4%), calçados e artigos de couro (8,7%) e madeira (11,9%).
O efeito das férias coletivas e das paradas não programadas pôde ser visto no número de horas pagas. A queda foi de 1,7% em dezembro. Isso preocupa o professor de economia da Unicamp Waldir Quadros:
- Estão usando banco de horas e férias coletivas, as dispensas estão por vir. E São Paulo vai ser fortemente afetado.
São Paulo teve a primeira queda (0,8%) no emprego desde abril de 2004. No Rio, por não ser polo de setores que mais ajustaram a produção como o de carros, o emprego cresceu 1,3%, puxado por produtos de metal, ligados à construção civil.