Título: Mulheres da Paz atuam como olheiras do bem
Autor: Berta, Ruben
Fonte: O Globo, 16/02/2009, Rio, p. 8

Elas abordam jovens em situação de risco e os encaminham a cursos profissionalizantes.

A força feminina também é peça-chave no projeto Mulheres da Paz, que atua em comunidades violentas para retirar jovens do tráfico. Pelo trabalho, viabilizado pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), cada uma das 2.550 recrutadas recebe R$190 mensais em troca de oito horas semanais em que se dedicam a abordar pessoas entre 15 e 29 anos que estejam à beira da criminalidade e encaminhá-las a programas sociais.

Uma das selecionadas, Antônia Rodrigues, de 41 anos, exerce sua função debaixo do fogo cruzado de facções das favelas da Baixa do Sapateiro e do Morro do Timbau, no Complexo da Maré.

- Tem que ter jogo de cintura. Muitos deles chegam agressivos; alguns, drogados. Mas nessas comunidades, eles estão mais dispostos a serem ajudados - diz Antônia.

Há dois meses, mulheres como Antônia participam de um treinamento para atuar em 18 territórios na capital - como os complexos do Alemão e da Maré, Manguinhos, Rocinha, e Providência - e no estado - como Caxias, Itaboraí e Niterói. O curso inclui aulas aos sábados e ensina noções de cidadania, leis e direitos humanos. A previsão para conclusão é em agosto, mas após 30 dias já são consideradas aptas a ir a campo.

Por meio do projeto, o Ministério da Justiça já repassou R$3,89 milhões ao governo do estado. Segundo a coordenadora nacional do Mulheres da Paz, Lélia Almeida, a implantação do programa no Rio servirá de modelo para as demais regiões do país.

- O Rio já acumula experiências como o PAC e o Pan - avalia Lélia. - Percebemos desde o princípio que, por meio das oficinas de capacitação, essas mulheres apenas formalizaram as atividades que já faziam nessas comunidades de risco.

Mais de dois mil selecionados para aulas no Senac

Esta semana, Lélia visitou as favelas de Manguinhos e da Maré para acompanhar a implantação do projeto. Ela chama atenção para a inclusão das mulheres no processo de pacificação em áreas deflagradas, cujo foco, até então, era apenas na figura masculina.

- Trabalhamos inicialmente com previsão de cinco mil mulheres, e hoje já estamos com 11 mil em todo o Brasil - calcula a coordenadora.

Aliado ao Mulheres da Paz, o Protejo selecionou jovens com renda familiar de até dois salários mínimos, em condições precárias de moradia e de maior escolaridade para frequentar cursos profissionalizantes no Senac, com carga horária de 800 horas, além de uma bolsa de R$100 por aluno. Dos cerca de dez mil candidatos a participar da iniciativa, 2.710 foram escolhidos; todos moram na mesma área de atuação do projeto Mulheres da Paz.

Entre os cursos oferecidos estão administração, oficina de turismo, estética e beleza, hotelaria, gastronomia e cultura e lazer.

- Aqueles que chegaram aqui já passaram pela seleção das Mulheres da Paz. Mas também será feito um acompanhamento do desempenho deles durante os cursos - afirma Lélia.