Título: Escolas fazem rodízio de alunos em Maceió
Autor: Rios, Odilon
Fonte: O Globo, 19/02/2009, O País, p. 10
Por falta de carteiras escolares, crianças têm aula dia sim, dia não; promotora descobre estudantes sentados no chão.
MACEIÓ. Por falta de carteiras escolares para todos os alunos, a Secretaria municipal de Educação de Maceió, em Alagoas, adotou um esquema de rodízio que demonstra toda a precariedade do sistema educacional brasileiro. Na Escola Municipal Antônio Semeão Lins, no bairro do Jacintinho, periferia de Maceió, os 1.014 alunos foram divididos em dois grupos: os de séries ímpares (1ª e 3ª), terão aulas em um dia; os de pares (2ª e 4ª) no outro.
- Sem o rodízio, os alunos não teriam como assistir às aulas - justificou a diretora Rosimaire Piedade.
Desde o ano passado, ela avisou à secretaria sobre a falta de carteiras. Das nove salas de aula, apenas cinco tinham o equipamento. Só ontem, após reclamação dos pais pela imprensa, foram enviadas 101 carteiras.
- O rodízio continua porque uma turma ficou sem as carteiras. Agora, será assim: uma turma vai deixar de ter aula a cada dia - disse a diretora.
Na rede estadual de Alagoas, o problema é o mesmo. Ontem, a promotora Cecília Carnaúba fez uma inspeção na Escola Estadual Rosalvo Ribeiro, no Tabuleiro dos Martins, também na periferia. Dos mil alunos, apenas 500 tinham carteiras. Mas a diretora não adotou o rodízio. Quem quisesse aprender, que se sentasse no chão.
- Falta dignidade nas salas de aula de Alagoas - resumiu a promotora. - Isso é desumano e pode caracterizar ato de improbidade administrativa.
Cecília denunciou que há escolas com banheiros quebrados ou sem portas e bibliotecas sem cadeiras ou mesas:
- A Secretaria estadual de Educação tem dois depósitos cheios de carteiras escolares e não usa nenhuma.
A Secretaria estadual informou que adquiriu 50 mil carteiras escolares e as distribuirá hoje. As carteiras que estão em depósitos só podem ser usadas para programas específicos, definidos pelo MEC. Segundo o Ministério da Educação, Alagoas ocupa as piores colocações nos números de analfabetismo, defasagem e repetência escolar.