Título: PIB dos EUA pode encolher até 1,3% e estagnação ameaça o mundo este ano
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Fonte: O Globo, 19/02/2009, Economia, p. 26

Enquanto Fed refaz projeções para baixo, FMI já admite crescimento zero.

WASHINGTON, PARIS, LONDRES e NOVA YORK. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) refez suas contas para baixo sobre a economia dos EUA este ano. Pelas novas projeções, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) deverá cair entre 0,5% e 1,3%. Na previsão anterior, realizada em novembro, o BC americano havia previsto uma variação entre retração de 0,2% e alta de 1,1%. Já o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse, em entrevista ao jornal francês "Les Echos", que o Fundo deverá reduzir mais uma vez sua previsão de crescimento global, admitindo que a nova projeção "poderia se aproximar de zero".

"Essa situação é bastante clara. O ano de 2009 já está amplamente definido e será um ano bastante ruim", disse o número um do FMI na entrevista, publicada ontem. Pessimista em relação à economia mundial, o Fundo já havia previsto no mês passado um crescimento de 0,5% este ano, o menor do Pós-Guerra, contra a estimativa de novembro de 2,2%.

BC da Inglaterra vai imprimir dinheiro

O Fed, por sua vez, também viu uma piora na situação do mercado de trabalho americano. Segundo a nova avaliação, a taxa de desemprego deve crescer para algo entre 8,5% e 8,8%. Na previsão anterior, a variação era de 7,1% a 7,6%. "Considerando as forças que hoje estão pesando na economia, (o Fed) calcula que a recuperação será extraordinariamente lenta e gradual", diz o documento com as projeções divulgado ontem.

Já o ex-presidente do Fed Alan Greenspan disse ontem que a atual recessão global será "certamente a mais longa e profunda" desde a década de 30. Ele acrescentou que mais desembolsos do governo serão necessários para estabilizar o sistema financeiro americano.

- Para estabilizar o sistema bancário americano e restabelecer os empréstimos, fundos do TARP (programa criado pelo Departamento do Tesouro dos EUA para ajudar bancos em risco) adicionais serão necessários - disse Greenspan no Economic Club de Nova York.

O atual presidente do Fed, Ben Bernanke, prometeu, mais uma vez, fazer tudo o que for possível para tirar o país da recessão, ao mesmo tempo em que defendeu as medidas extraordinárias que o BC americano vem tomando contra a crise. O Fed cortou as taxas de juros para patamares recordes e começou uma série de programas radicais com a esperança de estimular a volta do crédito - o oxigênio da economia - para consumidores e empresários e estabilizar Wall Street.

- As mais recentes estatísticas econômicas têm sido desalentadoras, inclusive as nossas, com mergulhos na recessão - disse Bernanke em uma conferência no National Press Club. - Nos EUA, o Fed fez todo o possível, e continuará a fazê-lo, dentro dos limites de sua autoridade para ajudar a restaurar, o mais rapidamente possível, a prosperidade de nossa nação

Já o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, pediu ontem autorização ao ministro das Finanças do país, Alistair Darling, para ampliar o volume de dinheiro em circulação.