Título: Em Pernambuco, confronto com a PM
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 10/03/2009, O País, p. 4
Intenção de manifestantes era ocupar pátio de usina para protestar.
ALIANÇA (PE). Em Pernambuco, o protesto da Via Campesina acabou em confusão. Cerca de 80 manifestantes ligados ao MST e à CPT entraram em confronto com a Polícia Militar em frente à Usina Cruangi, em Aliança, a 85 quilômetros da capital. Um sem-terra foi detido sob a acusação de agredir um capitão da PM. O oficial e uma militante do MST, que entraram em luta corporal, ficaram com escoriações.
Os sem-terra - mulheres em sua grande maioria - pretendiam ocupar o pátio da usina para fazer ato contra o trabalho escravo e a exploração de mão de obra infantil. O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar) fez nota acusando a Via Campesina de provocar "clima de instabilidade e tensão no ambiente de produção e geração de emprego e renda".
Mês passado, auditores do Ministério do Trabalho e Emprego encontraram 252 cortadores de cana em situação considerada análoga ao trabalho escravo na Cruangi. Entre os lavradores, 27 eram menores. Ontem, os sem-terra fizeram uma concentração ao lado da BR-408 e seguiram a pé para a indústria. Os policiais fizeram um cordão humano para evitar a passagem. Houve empurrões, gritos e palavras de ordem, e os policiais se posicionaram nos portões da indústria para impedir que a área do maquinário fosse invadida.
Uma das manifestantes, Ana Emília Borba, do MST, pichou os muros com a frase "Aqui está o sangue dos trabalhadores". Os PMs tentaram impedir e tomaram o spray de tinta vermelha. Houve então novo confronto, com luta corporal entre os policiais e os sem-terra. Charles Afonso de Souza, integrante da coordenação estadual do MST, quebrou uma bandeira no capitão PM George Afonso de Souza. Charles foi detido e indiciado por desacato a autoridades.