Título: Congresso americano relaxa restrições em relação a Cuba
Autor: Scofied Jr., Gilberto
Fonte: O Globo, 11/03/2009, O Mundo, p. 28

No Chile, 1ª reunião do Conselho de Defesa regional lançado por Lula defende fim de embargo econômico ao país.

WASHINGTON, BUENOS AIRES e SANTIAGO. O Congresso dos Estados Unidos aprovou ontem o relaxamento nas restrições a viagens a Cuba, numa mudança que pode ser o prenúncio de alterações mais profundas na política americana para o país. A medida foi enviada à noite ao presidente Barack Obama para sua promulgação, após sua aprovação no Senado, em meio a um debate sobre se os EUA deveriam acabar com o embargo comercial imposto ao país.

De acordo com o projeto de lei, os cubano-americanos poderão viajar a Cuba uma vez ao ano para visitar parentes e ficar no país por tempo ilimitado. As regras atuais limitam as visitas familiares a uma a cada três anos e uma permanência não superior a 14 dias.

A medida relaxa também as regras para a exportação de alimentos e medicamentos a Cuba - o que provocou o protesto de alguns parlamentares, inclusive do lado democrata. O governo teve que dobrar a resistência de dois integrantes de seu próprio partido para obter apoio ao pacote, um grande projeto de lei sobre gastos do governo.

"Estamos revendo a política dos EUA em relação a Cuba para determinar a melhor maneira de estimular a mudança democrática e melhorar as vidas do povo cubano", escreveu o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, a dois senadores democratas que hesitavam em aprovar o pacote de gastos de US$410 bilhões.

Embate entre Equador e Colômbia marca encontro

Obama já havia deixado clara sua posição a favor do relaxamento nas regras de viagem e de envio de dinheiro de cubanos-americanos ao país, embora afirme que o embargo deva permanecer como pressão para uma reforma democrática.

O fim do embargo a Cuba foi defendido ontem durante a primeira reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano, em Santiago, na qual os governos da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se comprometeram a reforçar a confiança mútua e a integração de suas Forças Armadas. No encontro do organismo criado por iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vários ministros de Defesa pediram aos EUA para que reveja sua posição em relação a Cuba e defenderam também a demanda do Equador para que o conselho seja acionado em caso de futuras agressões à soberania territorial.

- Creio que há um ponto fundamental para que os EUA tenham boa relação com a América do Sul. É importante mudar a política com relação a Cuba - disse o ministro Nelson Jobim, um dos principais defensores da suspensão do embargo.

A posição do governo Lula foi respaldada enfaticamente pelos representantes da Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Venezuela.

- Vemos hoje condições favoráveis com o novo presidente do EUA para que esta situação injusta e discriminatória termine - declarou a ministra da Defesa argentina, Nilda Garré.

O governo do presidente Rafael Correa aproveitou o debate para reforçar suas críticas à Colômbia e tentar impedir futuras intervenções de forças militares em seu território, como ocorreu em março de 2008, no ataque a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Uma das iniciativas do conselho será criar uma plataforma de diálogo regional, mecanismo que tentará evitar incidentes bilaterais.

COLABOROU Janaína Figueiredo