Título: Protógenes defende invasão da fazenda de Dantas
Autor: Gomes, Wagner
Fonte: O Globo, 16/03/2009, O País, p. 4

"Ocupar fazenda de banqueiro bandido é dever do povo", diz delegado da PF, em apoio ao MST.

SÃO PAULO. O delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, defendeu ontem a invasão de sem-terra ligados ao MST na Fazenda Espírito Santo, de propriedade do banqueiro Daniel Dantas, no Pará. Protógenes disse que ocupar fazenda de "banqueiro bandido" é um dever do povo. Mesmo com essa frase, negou que esteja fazendo apologia ao crime. Afirmou que vai revelar em depoimento na CPI dos Grampos, em abril, em que condições a fazenda chegou às mãos de Dantas.

- Ocupar fazenda de banqueiro bandido é dever do povo brasileiro. No dia 1º, o povo vai ver em que condições essas terras foram adquiridas. Não estou aqui fazendo apologia criminosa de nada, não estou criminalizando nada e não estou incentivando ninguém a invadir terra produtiva, não é disso que se trata - disse Protógenes, ao lado da presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, num seminário sobre segurança organizado pelo Movimento Terra, Trabalho e Liberdade, em São Paulo.

Delegado diz que Supremo se contradiz sobre operação

A invasão da fazenda no Pará foi um protesto do MST contra as declarações do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, de que repasses de verbas públicas ao movimento são ilegais. A Fazenda Espírito Santo foi invadida por cerca de 200 pessoas, no fim de fevereiro.

O delegado disse que vai denunciar à CPI a relação corrupta de pessoas com o banqueiro, e alegou que há contradições no Supremo Tribunal Federal em relação à Operação Satiagraha, na qual ele prendeu Dantas. Afirmou que o STF, que concedeu dois habeas corpus para a libertação de Dantas, começa a mudar o seu comportamento.

Na sexta-feira, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito atestou que membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) podem ter acesso a dados de órgãos como a PF. Direito não falou especificamente sobre a Satiagraha, mas o caso pode ser aplicado, segundo o MPF. Protógenes foi afastado da Satiagraha por ter cometido excessos na investigação.

Num discurso inflamado, Protógenes disse que o Brasil deveria se espelhar nos EUA, que prenderam o banqueiro Bernard Madoff, de 70 anos, acusado de fraude e lavagem de dinheiro.