Título: EUA e Brasil concordam na reforma do FMI
Autor: Martins, Marília
Fonte: O Globo, 16/03/2009, Economia, p. 14
Presidente americano é favorável a uma maior participação brasileira no Fundo, diz assessor especial de Lula.
NOVA YORK. Brasil e Estados Unidos já acertaram pelo menos alguns pontos prioritários de trabalho para uma agenda comum rumo ao G-20, o encontro que vai reunir líderes das 20 maiores economias do mundo em Londres, no começo de abril. O grupo bilateral, cuja criação foi decidida anteontem no encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o americano Barack Obama em Washington, tratará de questões como a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), o combate a paraísos fiscais e a adoção de uma política coordenada de estímulos fiscais. Esses são alguns dos pontos da agenda comum, informou ontem em Nova York o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.
Maior desafio é coordenar regulação do mercado
Os presidentes concordaram em discutir a aceleração do cronograma de reforma do FMI. A proposta de regulação do sistema financeiro internacional, no entanto, ainda não está totalmente acertada, porque os EUA só aceitam se a regulação não for obrigatória.
- O maior desafio será encontrar meios de coordenar as medidas de regulação do mercado financeiro, adotadas em acordo internacional, com as medidas internas de cada país - antecipou Garcia, comentando que todos ficaram "felizes" em saber que o presidente Obama "é favorável à ampliação da participação do Brasil na governança de entidades internacionais, como o Fundo Monetário Internacional".
O assessor especial da Presidência minimizou a falta de avanços no pleito brasileiro por redução da sobretaxa ao etanol exportado para os EUA:
- Há sensibilidade no governo Obama para a reclamação brasileira no que se refere ao protecionismo do mercado americano. O presidente Obama tem o projeto de mudar a matriz energética americana e favorecer o consumo de biocombustíveis renováveis. E, mesmo que seja a médio prazo, essa proposta vai acabar favorecendo a política brasileira de energia.
Lula fica no hotel, Dilma vai ao Metropolitan Museum
O presidente Lula passou o domingo na sua suíte no Hotel Plaza. Ele almoçou com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e, à tarde, conversou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fez um relato das conversas que teve, no sábado, na cidade inglesa de Horsham, ao sul de Londres, com os ministros da Fazenda dos demais grandes países emergentes do grupo conhecido como Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Lula aproveitou o dia para conhecer o salão, onde vai se encontrar, hoje, com 250 empresários para debater os rumos da economia brasileira.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi, pela manhã, ao Metropolitan Museum, acompanhada do embaixador brasileiro em Washington, Antonio Patriota. O chanceler Celso Amorim, por sua vez, foi almoçar com o filho, que mora em Nova York.
Segundo Patriota, o encontro entre Lula e Obama, no sábado, em Washington, serviu para comprovar que o Brasil teve reconhecido o seu papel de interlocutor na reforma do sistema financeiro internacional. Ficou claro, disse ele, que o país não é apenas um interlocutor privilegiado para assuntos específicos de América Latina:
- O Brasil continua a ser um interlocutor para a política americana no continente - afirmou Patriota.
De acordo com o embaixador, o encontro com Obama mostrou que o país mereceu um tratamento especial no que se refere à sua importância estratégica nas conversas com o G-20. O peso da economia brasileira no cenário internacional está permitindo ao país ter voz mais ativa no debate sobre os rumos da regulamentação do mercado financeiro, argumentou Patriota.
Hoje, a equipe econômica participa de seminário durante todo o dia. Pela manhã, Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, falam sobre as estratégias brasileiras para enfrentar a crise financeira internacional e manter o crescimento em 2009.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, falará sobre as reformas institucionais brasileiras e Amorim avaliará as relações internacionais estratégicas para o Brasil. O presidente da Vale, Roger Agnelli, também vai estar presente no seminário. Ele falará sobre as perspectivas da mineradora este ano.