Título: Eleição já dita ritmo de trabalho e disputas
Autor: Vasconcelos, Adriana; Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 15/03/2009, O País, p. 3

Senadores antecipam campanha por novo mandato ou outros cargos em 2010.

BRASÍLIA. Se não bastasse a onda de denúncias que tem exigido do Senado explicações quase diárias sobre irregularidades administrativas cometidas por parlamentares e servidores, a Casa poderá ter seu ritmo de trabalho comprometido este ano pela aproximação das eleições. Em 2010, dois terços dos senadores terão de renovar seus mandatos se quiserem permanecer na Casa, o que deverá aumentar ainda mais o clima de tensão entre parlamentares e partidos, que começaram o ano numa acirrada disputa pelos principais cargos de comando da instituição - são postos que dão visibilidade e poder aos candidatos.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), prevê dias difíceis para o Senado.

- Se na campanha a Casa se esvazia, antes dela se radicaliza - adverte o tucano.

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), uma das petistas em fim de mandato e que planeja disputar o governo de Santa Catarina, concorda que a aproximação das eleições deverá ter reflexos nas votações e no comportamento dos parlamentares já a partir deste ano.

- As disputas eleitorais sempre contaminam o trabalho do Legislativo, ainda mais quando dois terços das vagas do Senado estão em jogo e muitos entre os que ainda têm quatro anos de mandato pela frente planejam disputar outros cargos - observa Ideli.

Para algumas bancadas, a eleição do próximo ano tem impacto maior. É o caso do PMDB. Para manter-se como maior bancada - hoje tem 20 senadores -, o partido terá de reeleger em 2010 pelo menos 16 senadores. O problema é que alguns deles enfrentarão sérias dificuldades para voltar, como alguns suplentes que ganharam seus mandatos em razão da eleição ou morte do titular. Esse é o caso de Neuto do Conto (PMDB-SC), que assumiu a vaga quando o tucano Leonel Pavan foi eleito vice-governador de Santa Catarina, e de Valter Pereira (PMDB-MS), que tomou posse após a morte de Ramez Tebet.

Outros terão dificuldades de se reeleger pelas circunstâncias políticas enfrentadas em seus estados, como os senadores Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e Gerson Camata (PMDB-ES). Há ainda o caso daqueles com planos mais ambiciosos, que almejam disputar o governo de seus respectivos estados. Entre eles estão os senadores Almeida Lima (PMDB-SE) e Hélio Costa (PMDB-MG) - este ocupa atualmente o cargo de ministro das Comunicações.

Em compensação, vários governadores do PMDB em fim de mandato agora têm o Senado como meta, o que poderá garantir um alto índice de renovação na Casa. Entre os com boa chance de garantir uma vaga na Casa estão Roberto Requião (PR), Luiz Henrique (SC), Paulo Hartung (ES), Eduardo Braga (AM) e Marcelo Miranda (TO).

O DEM é outra legenda que poderá ter dificuldades para se manter entre as maiores bancadas. De seus 14 senadores, oito estão em fim de mandato. Entre eles, pelo menos três suplentes: Adelmir Santana (DF), Antônio Carlos Magalhães Júnior (BA) e Gilberto Goellner (MT). Para piorar, uma das estrelas do partido, o líder José Agripino (RN), enfrentará uma conjuntura difícil em seu estado, já que terá como adversários o peemedebista Garibaldi Alves, que acabou de deixar a presidência do Senado, e a atual governadora, Vilma Faria.

A baixa na bancada do Democratas poderá ser ainda maior se os senadores Raimundo Colombo (SC) e Rosalba Ciarlini (RN) forem bem-sucedidos nos seus planos de disputar os governos de Santa Catarina e Rio Grande do Norte, respectivamente.

Os tucanos e os petistas vivem dilemas parecidos. No PSDB, dos 13 senadores, oito precisam renovar mandato. No PT, dos 12, são nove. Apesar do cheiro de eleição no ar, o líder da bancada petista, senador Aloizio Mercadante (SP) - um que enfrentará difícil disputa pela reeleição ano que vem -, ainda tem esperança de que o Senado possa avançar na discussão de assuntos de interesse do país:

- Espero que o Senado não se apequene politicamente.