Título: Reajustes, só com normalidade
Autor: Ordoñez, Ramona; Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 19/03/2009, O País, p. 9

Presidente diz que economia pode impedir cumprimento de acordo salarial.

A volta à "normalidade" é, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-requisito para que o governo cumpra os compromissos de aumento salarial firmados com o funcionalismo público para o segundo semestre. Ontem, no Rio, ao responder sobre os riscos de que a promessa de reajuste para o funcionalismo seja descumprida, o presidente afirmou que pretende respeitar o acordo, mas espera a redução dos efeitos da crise econômica mundial:

- Não gosto de tomar medidas precipitadas. Se tem uma coisa que não passa na minha cabeça é ficar com medo do que vai acontecer amanhã. Não tenho medo premeditado. Temos um acordo (com os servidores). A minha ideia é cumprir esse acordo. Eu só não cumprirei esse acordo se houver anormalidade. Mas como só vou ter que decidir em junho, por que vou ter pressa agora? - perguntou o presidente, que acrescentou:

- Não gosto de tomar medidas precipitadas e não tenho medo premeditado. Só não vou cumprir o acordo caso não haja normalidade.

Lula afirmou ainda que, como ex-sindicalista, espera ver respeitados os acordos com os servidores.

- Com muita paciência, tenho toda vontade de cumprir o acordo, porque, como eu vim do movimento sindical, sei o quanto é bom a gente cumprir os acordos (com funcionários públicos). Minha ideia é cumprir. Deus queria que volte à normalidade logo, para que a gente não tenha que mexer em nada - completou.

Na sexta-feira, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo poderá suspender o pagamento da parcela de julho, caso se confirme queda na receita. O governo ainda se divide entre adiar para 2010 o repasse das parcelas de aumento previstas este ano ou manter os prazos acordados com o funcionalismo.