Título: Senado divulga lista de 50 diretorias extintas
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 21/03/2009, O País, p. 9

O CONGRESSO MOSTRA SUAS ENTRANHAS: Entre os que ficaram sem função, apenas um não é funcionário concursado

Com fim dos cargos, Casa vai economizar R$4,8 milhões por ano; servidores também perdem telefones celulares

BRASÍLIA. O Senado divulgou ontem a lista dos primeiros 50 diretores da instituição que perderam suas funções gratificadas. A extinção desses cargos, porém, só poderá ser efetivada por decisão da Mesa Diretora, que precisa se reunir. Segundo o diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo, esses cortes seguiram critérios técnicos e não pessoais, buscando não comprometer o funcionamento da instituição.

A medida garantirá, de imediato, uma economia mensal de R$400 mil para os cofres da Casa (R$4,8 milhões por ano). Os servidores atingidos pelo corte perderão a gratificação, o uso de telefone celular e a vaga na garagem do Senado.

Diretor que cuidava de check-in perde o cargo

Entre os diretores que perderam sua função aparecem os que cuidavam da Coordenadoria de Apoio Aeroportuário (Coapae) - que há cerca de 20 anos ajuda no embarque e desembarque de parlamentares no aeroporto de Brasília - e da Coordenação de Administração de Residências Oficiais, que funcionava na garagem de um dos prédios com apartamentos funcionais do Senado.

Também entrou na lista de cortes Aricelso Lopes, que, embora estivesse lotado no gabinete de Mão Santa (PMDB-PI), exercia função de direção como coordenador da Atividade Policial da instituição. Entre os que perderam o cargo, apenas um era comissionado, ou seja, não é funcionário concursado.

Os cortes atingiram ainda a diretoria da Secretaria de Estágio, cargo ocupado até o fim do ano passado por Sânzia Maia, mulher do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia; ela só deixou a função por causa da lei antinepotismo. Agaciel foi o primeiro a perder o cargo de diretor nesta nova onda de denúncias contra o Senado.

Outra protegida de Agaciel que perdeu o título de diretora foi Cristiane Tinoco Mendonça, do Gabinete de Coordenação e Execução, citada em discurso pelo líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), por sua BMW estar estacionada na garagem privativa do Senado. Ela entrou na Casa por meio de um concurso para telefonista, mas, graças a amizades, chegou ao cargo.

A lista com os nomes dos 50 servidores dispensados do cargo de direção só saiu ontem à tarde após ultimato dado pelo 1º secretário da Mesa Diretora, senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Irritado com a demora na definição dos cortes, ele foi ao gabinete do diretor-geral para apressar a definição dos cortes.

Gazineo sugeriu redução de lista para 40 nomes

Gazineo e a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra, chegaram a sugerir que a lista ficasse em 40 nomes, mas Heráclito não aceitou reduzir o corte anunciado na véspera, durante discurso na tribuna.

As dispensas de função atingiram basicamente funcionários de carreira do Senado: entre os 50, apenas uma servidora era comissionada: Cláudia Dias Costa França. Gazineo caiu em contradição ao tentar explicar essa diferença de tratamento entre os servidores de carreira e comissionados.

- Não temos competência para dispensar servidores comissionados, já que eles são nomeados por indicação de senadores - tentou justificar Gazineo, sem perceber que uma das integrantes da lista era comissionada.

Sem os cargos, servidores atingidos pela medida perderão, em média, R$2 mil, no caso da função gratificada FC-8; para a FC-10, a gratificação é de quase R$5 mil. Cumprindo ordem de Heráclito, Gazineo começou a recolher os veículos que atendiam os diretores do Senado. A meta é recolher toda a frota, que chegaria a 50 carros.