Título: O homem do orçamento de R$1,5 trilhão
Autor: Lima, Maria
Fonte: O Globo, 25/03/2009, O País, p. 3
Da tropa de choque de Renan Calheiros, Almeida Lima assume comissão com ajuda de governistas.
BRASÍLIA. No ano em que presidirá a Comissão Mista de Orçamento, cargo para o qual foi eleito por aclamação ontem, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) aumentou em 66,8% o valor de suas emendas. Em 2009, as emendas de sua autoria incluídas no Orçamento chegam a R$33,570 milhões, enquanto no ano passado somavam R$20,117 milhões. Indicado pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e eleito com apoio dos governistas, Almeida Lima acompanhará a execução do Orçamento milionário da União - de cerca de R$1,5 trilhão, com mais de R$700 bilhões em despesas obrigatórias, de custeio e investimento, incluindo a liberação de suas emendas. O relator do Orçamento será o petista Geraldo Magela (DF).
Sem esconder a satisfação, Almeida Lima assumiu afirmando que muitos têm inveja de seu relacionamento com Renan e avisando que não admitirá mais críticas do colega Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).
- Muita gente tem é dor de cotovelo pela relação que tenho com o líder Renan, de fazer a defesa de Renan, coisa que muita gente não tem autoridade moral para fazer, e fiz sem sair chamuscado - disse Almeida Lima, um dos mais empenhados integrantes da tropa de choque de Renan durante o processo por quebra de decoro, que o obrigou a deixar a presidência do Senado.
O senador disse que sabe que conduzirá a comissão num ano de crise, mas que gostaria de ver liberada uma emenda coletiva assinada por ele, de R$24 milhões. Em 2009, além dessa proposta, Almeida Lima apresentou apenas três emendas ao Orçamento - que beneficiam seu estado nas áreas de turismo, saúde e esporte. Duas delas têm valores elevados, acima de R$16 milhões. Em 2007, foram incluídas duas emendas de Lima no Orçamento, para obras de infraestrutura, no valor de R$600 mil.
Em seu segundo mandato, Almeida Lima ganhou notoriedade ao assumir a defesa intransigente de Renan. No Conselho de Ética, fez um relatório pedindo o arquivamento do caso, em agosto de 2007. No papel de advogado de defesa de Renan, protagonizou acaloradas discussões. Uma delas com Tasso Jereissati (PSDB-CE), que chegou a chamar o colega de palhaço.
- Se Vossa Excelência sabe bater (na mesa), também sei. A tentativa de castrar a minha palavra para ler o relatório de cinco laudas, não vou aceitar - rebateu Almeida Lima, na ocasião.
O tucano, irônico, ainda usou expressões como boneca para atacar o colega.
Além de ter participado do Conselho de Ética, Almeida Lima foi da CPI do Mensalão, em 2005. Ele costuma dizer que é tranquilo, mas avisa que não aceita ataques ou "críticas desairosas". Foi eleito pelo PDT, passando rapidamente pelo PSDB, e hoje está no PMDB. Almeida Lima assumiu em 2003, foi reeleito e tem mandato até janeiro de 2011.
- Já ouvi uma ou duas observações do senador Jarbas e não ouvirei a terceira. Ele é a ave que prefere não continuar no ninho (no PMDB), que é um ninho muito confortável - disse Almeida Lima.