Título: CNI aponta crescimento zero para a economia brasileira este ano
Autor: Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 27/03/2009, Economia, p. 22

Expectativa, no entanto, é que recuperação comece já no 2º semestre.

BRASÍLIA. Seguindo as expectativas do mercado financeiro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também reviu para zero a projeção de crescimento da economia em 2009. A estimativa anterior, feita em dezembro, apontava para um crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB). A nova projeção, porém, é mais otimista do que aparenta, pois embute a previsão de recuperação gradual da atividade econômica a partir do segundo semestre. Sem isso, o país fecharia o ano em recessão, segundo o gerente de política econômica da entidade, Flávio Castelo Branco: ¿ A queda drástica da economia no fim de 2008 fez com que a economia já começasse este ano com retração de 1,5% ¿ disse. As projeções para o PIB industrial são ainda mais negativas e apontam para uma retração de 2,8% ¿ em dezembro previa-se crescimento de 1,8%. Esta é a maior queda da produção da indústria desde o governo Collor, no início dos anos 90. No cenário deste ano, a CNI prevê dificuldades de crédito para novos investimentos, taxa de desemprego em alta ¿ de 8,2% para 9,1% ¿ e deterioração do consumo das famílias, que deverá ter queda de 0,9%. Os investimentos em bens e capital devem cair, ficando com uma retração de 4,4%, contra um aumento previsto inicialmente de 3%.

Gastos do governo `salvam¿ vão impulsionar demanda

A economia só não terá um desempenho tão ruim em razão dos gastos governamentais. Os técnicos da CNI preveem que o consumo de governo ¿ salários de funcionalismo, gastos assistenciais, investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento, entre outros ¿ terá uma elevação de 3%, impulsionando a demanda. Será o reflexo da política federal anticíclica adotada pelo governo. O pacote habitacional lançado na quartafeira, porém, terá efeitos pequenos na economia. Por isso, a CNI não acredita que o governo conseguirá entregar no fim do ano um superávit primário (economia para pagar os juros) de 3,8% do PIB. A expectativa é que a economia chegue a apenas 2,7% do PIB. O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista subiu 1,1% em fevereiro ante janeiro, com ajuste sazonal, segundo a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Sem ajuste, o nível de atividade subiu 0,8% no mês, mas caiu 15,4% na comparação com fevereiro de 2008. Segundo a Fiesp, a queda da atividade industrial foi tão intensa nos últimos meses do ano de 2008 que zerou os ganhos no resultado acumulado em 12 meses até fevereiro. A Fiesp revisou o resultado do INA do mês de janeiro, ante dezembro. O resultado com ajuste, que era de alta de 6,2%, foi revisado para uma expansão bem mais moderada, de 2,5%.