Título: Para substituir vestibular, Enem deve ter 2 provas
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 01/04/2009, O País, p. 8

Outra mudança proposta pelo MEC é que nota do exame seja usada para ingresso em qualquer universidade do país

BRASÍLIA. O novo exame proposto pelo Ministério da Educação (MEC) para substituir o vestibular nas universidades federais deverá ser aplicado pelo menos duas vezes por ano, anunciou ontem o ministro Fernando Haddad. A ideia é realizar um teste por semestre, na mesma data, em todo o país.

Haddad enviou nota aos reitores das federais com a proposta de criação do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Ele se reunirá com os dirigentes, segunda-feira, para discutir a medida. Como as universidades têm autonomia para definir as formas de ingresso, a substituição só valerá nas instituições que aderirem ao novo sistema.

¿ Funciona muito bem em países desenvolvidos. Não tem por que não funcionar aqui ¿ disse Haddad. ¿ É muito provável que se tenha que aplicar mais de uma prova por ano. Nos Estados Unidos é assim.

O novo Enem permitirá o ingresso em todas as universidades públicas ou privadas que aderirem. A proposta é inspirada no Scholastic Assessment Test (SAT), teste aplicado nos Estados Unidos.

Instituições poderão escolher mínimo de pontos Em linhas gerais, a ideia é a seguinte: o candidato faz a prova do Enem em qualquer estado e recebe uma nota. Na outra ponta, cada universidade determina a pontuação mínima para ingresso em seus cursos. Essa nota de corte poderá variar em diferentes instituições e cursos.

Assim, um estudante do Rio que obtenha nota suficiente para ingressar numa faculdade de medicina do Ceará, por exemplo, poderá matricular-se naquele estado. E vice-versa.

O ministro afirmou que isso dará mais mobilidade aos estudantes, beneficiando alunos que não têm dinheiro para arriscar vestibulares em outras cidades.

Segundo ele, só 0,04% dos calouros frequentam a universidade em outro estado. Nos Estados Unidos, são quase 20%.

O governo deverá aumentar os repasses de assistência estudantil às universidades que aderirem. A medida servirá de estímulo para que elas abram mão da arrecadação com as taxas de vestibulares.

A proposta é que a nova prova seja realizada pela primeira vez em outubro, num sábado e num domingo, avaliando quatro áreas: linguagens, com questões de língua portuguesa, língua estrangeira e redação; matemática; ciências humanas; e ciências da natureza. Cada teste teria 50 questões de múltipla escolha.

Os critérios de uso dos resultados ficam a cargo das instituições.

O MEC divulgará separadamente os resultados dos candidatos em cada área avaliada.

Cada instituição poderia determinar o peso da nota cada área.

Universidades que queiram realizar outra prova, além do Enem, teriam liberdade para isso.

Haddad espera que o novo Enem oriente as escolas na definição dos currículos, contribuindo para melhorar a qualidade da educação. De acordo com o ministro, o vestibular faz isso hoje, mas de forma prejudicial, pois privilegia a decoreba e não a capacidade de pensar e resolver problemas do cotidiano, ¿ Há bons colégios que são uma espécie de cursinho de três anos ¿ disse o ministro.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Amaro Lins, disse que a discussão começará para valer na segunda-feira.