Título: Câmara recua sobre reforma de apartamentos
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 09/04/2009, O País, p. 8

Segundo a Casa, gastos de R$ 150 milhões ainda estão em estudo.

BRASÍLIA. A Mesa da Câmara desautorizou a informação do 4o-secretário, Nelson Marquezelli (PTB-SP), que anunciara a decisão de reformar todos os apartamentos funcionais da Casa, nos próximos dois anos, elevando os custo da obra para R$ 150 milhões. Com a repercussão negativa da notícia, foi divulgada nota, assinada por todos os integrantes da Mesa ¿ inclusive Marquezelli ¿, em que o comando da Casa diz que foi apresentado apenas um estudo pelo 4osecretário e que não houve decisão.

A nota foi acompanhada de uma sessão de reclamações dos deputados contra o ¿tom negativo¿ que a imprensa teria dado às decisões da Casa. Horas depois, Marquezelli ampliou a polêmica ao criticar a nota e confirmar que haverá a obra, para que a Câmara passe a ter 528 apartamentos em Brasília, de quatro e dois quartos, no lugar dos atuais 432 de quatro quartos.

¿ Se tem mesário que não entende o que aconteceu, paciência! O Michel (Temer) quer economizar com a extinção do auxílio-moradia. Coloquei a proposta de ampliação da reforma para todos os apartamentos, e não houve discordância.

Temer negou que houvesse a decisão da Mesa e classificou de ¿pancadaria¿ o noticiário: ¿ Estamos num clima de feriado.

Então, o que vai se desdobrar, ao longo deste final de semana, é exatamente a pancadaria que se deu hoje nos jornais.

As críticas são bem-vindas? São.

Ao lado da separação de poderes, uma imprensa livre é fundamental porque aponta desvios, e é importante que se apontem desvios. Mas quando fazemos coisas adequadas, é preciso que as notícias também sejam.

O 2ovice-presidente da Câmara, ACM Neto (DEM-BA), chegou a citar a edição de ontem do GLOBO, em que ele aparece sorridente numa foto ao lado de outros integrantes da Mesa: ¿ Quem lê a manchete do jornal e vê a foto pode absolutamente deduzir que a reunião da Mesa se deu aí. É inadmissível.

¿ Partir do princípio de que a instituição está permanentemente preocupada, principalmente, na sua autodefesa é um erro grosseiro, generalizante.

Transmite uma ideia falsa da instituição para a sociedade. Isso já não é mais uma cobertura. É uma execração! ¿ disse o líder do PSDB, José Anibal (SP).