Título: No Brasil, carro pode ficar mais barato e peça, mais cara
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Fonte: O Globo, 01/05/2009, Economia, p. 19

Consumidor já pergunta sobre a marca.

Carros novos da marca Chrysler podem ter queda de preços de 20%, enquanto seminovos podem se desvalorizar em 30%, acredita o analista de mercado automotivo Vitor Meizikas, da Molicar. O especialista explica que os custos de manutenção de veículos da marca se elevarão:

- A concordata afeta a confiabilidade da empresa. As concessionárias vão querer escoar os estoques e devem baixar preços. Nessa escala, o usado se desvaloriza um pouco mais, porque a dificuldade de reposição de peças, mais necessária nesses carros, tende a aumentar. É provável que haja dificuldade para comprar peças.

A participação da Chrysler no Brasil é pequena, representando cerca de 1% do mercado, segundo dados de dezembro de 2008. São vendidas no país as três marcas de automóveis do grupo: Chrysler, Dodge e Jeep.

Entre os veículos vendidos no Brasil, estão o hatch PT Cruiser e o sedã 300C V8, da marca Chrysler; a picape Dodge RAM 2.500, da Dodge; e o esportivo Cherokee Sport, da Jeep. Os preços variam de cerca de R$60 mil a pouco mais de R$200 mil.

Segundo Meizikas, mesmo que a empresa consiga evitar a falência, leva tempo para que os veículos recuperem o valor no mercado. Ele afirma, no entanto, que os carros da marca ainda terão atrativos:

- As pessoas poderão comprar um Chrysler com a mesma qualidade, por preços equiparados aos de modelos inferiores. Mas é importante checar as taxas de financiamentos, que devem aumentar, e as possibilidades de seguro.

Mauro Nassif, gerente de vendas da concessionária Itatiaia, revendedora da Chrysler, afirmou que os consumidores ontem mesmo já começaram a perguntar sobre a situação da marca. Mas, segundo ele, as vendas estavam registrando crescimento mensal de 2% a 3% até março, e as expectativas são boas:

- Os consumidores estão mais cautelosos. Alguns migram de linha, preferindo modelos de preços mais baixos, para dar um passo de cada vez. Estamos otimistas em relação à aliança com a Fiat.