Título: Raposa: índios e MST fazem parceria
Autor: Freire, Flávio
Fonte: O Globo, 05/05/2009, O País, p. 5

Ninguém vai ver indígena pedindo esmola como as pessoas nas cidades"

BOA VISTA. O Conselho Indígena de Roraima (CIR), organização não governamental ligada aos índios que defendiam a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em área contínua, articula parcerias com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) do Rio Grande do Sul para o cultivo de arroz orgânico na área indígena. O CIR também negocia com a Embrapa o acompanhamento da atividade produtiva na área.

Segundo o coordenador da ONG, Dionito Souza, a participação da Embrapa não incluiria a realização de pesquisas, já que, segundo ele, a terra é fértil.

- Se duvidar, nasce até gente - brincou.

Comissão de índios visitará Rio Grande do Sul

A definição das parcerias, dos locais de cultivo e dos tipos de plantações e culturas a serem desenvolvidas só deve acontecer em junho, quando será realizada uma assembleia geral com os líderes da Raposa Serra do Sol, na Vila Surumu.

- De imediato, a gente já sabe que vai ser plantado mandioca, milho, arroz, feijão e melancia, ou seja, tudo que índio gosta de comer - disse Dionito.

Uma comissão de indígenas irá ao Rio Grande do Sul conferir o trabalho que o MST desenvolve na agricultura daquele estado. Os índios também planejam desenvolver o turismo na região.

- Não vamos ser miseráveis, nem viver de migalhas. Buscaremos parcerias fortes para garantir o que tiver de melhor para as comunidades, disse Dionito.

Sobre o comentário do governador de Roraima, Anchieta Júnior - de que a região se transformaria num "zoológico humano", depois da saída dos não índios - Dionito disse que os indígenas vão mostrar para o governo que é possível levar uma vida digna, sem precisar de esmolas:

- Não vamos criar periferias nas comunidades, como fazem os governos. Ninguém vai ver índio pedindo esmola como as pessoas nas cidades.

Segundo levantamento feito em janeiro, vivem na Raposa Serra do Sol 19.332 índios.