Título: Apesar da pressão, Infraero mantém demissões
Autor: Camarotti, Gerson; Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 06/05/2009, O País, p. 5
Determinação da Defesa é dar continuidade à modernização da empresa; presidente da estatal envia carta a servidores
BRASÍLIA. Apesar da pressão dos últimos dias, a cúpula do PMDB foi informada de que a reestruturação da Infraero, com a demissão de indicados políticos, vai continuar, atingindo gradativamente, até o fim deste mês, mais 53 funcionários apadrinhados.
Dos 106 cargos comissionados da estatal, 25 já foram cortados e outros 28, que trabalham na área de navegação aérea, serão substituídos por concursados até abril de 2014. A Infraero negou que a demissão de Mônica Azambuja, indicada pelo líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), seu ex-marido, tenha sido suspensa e reafirmou que ela será exonerada.
Mônica é lotada no departamento comercial da estatal, no Aeroporto de Brasília, desde 1ode outubro de 2003. Recebe salário de R$ 9.285. Mas, segundo funcionários da empresa, ela não é vista com frequência no setor. Esta semana ela ainda não teria aparecido.
Depois da crise gerada pela demissão até mesmo do irmão e da cunhada do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDBRR), o presidente Lula pediu ao ministro Nelson Jobim (Defesa) tratamento mais cuidadoso nas demissões. O presidente da empresa, brigadeiro Cleonilson Nicácio, não quis se manifestar. A orientação é não divulgar a lista de demissões. Jobim tem evitado confronto com seu partido, o PMDB. Mas, reservadamente, diz que o processo de modernização da estatal não será alterado pelas reações políticas.
Embora a Infraero não tenha fixado prazo para que o quadro de contratos especiais (comissionados) se ajuste ao novo estatuto, que só permite 12 funcionários nessas condições, a expectativa na estatal é que até o fim de maio os 53 restantes sejam exonerados. Já foram enviadas cartas a esses servidores.
Nicácio disse a integrantes do governo que todos os afastados receberam uma carta atenciosa, e que não houve demissão sem aviso. Na carta, ele ressalta seu ¿sentimento de gratidão¿.
Ontem, peemedebistas tentavam amenizar o caso ¿ O problema foi muito mais da forma do que do mérito.
O tema das demissões foi tratado muito mal pelo governo.
E isso ficou muito claro ¿ disse Henrique Alves.