Título: Gastos do governo cresceram 15,3% no primeiro quadrimestre deste ano
Autor: Alvarez, Regina
Fonte: O Globo, 19/05/2009, Economia, p. 16

Total chegou a R$ 225 bilhões no período; só 2,6% foram para investimentos

BRASÍLIA. Num cenário de recessão, com a arrecadação tributária em queda, as despesas primárias da União tiveram um crescimento real ¿ já descontada a inflação ¿ de 15,3% no primeiro quadrimestre do ano.

Somados, os gastos do governo com pessoal, custeio e investimentos chegaram a R$ 225 bilhões ¿ R$ 30 bilhões a mais do que as despesas do mesmo período de 2008. Mas só 2,6% desse total foram para investimentos.

No período, o governo gastou R$ 5,9 bilhões em obras e projetos, já considerando os chamados restos a pagar (despesas contratadas em anos anteriores e pagas no exercício). Do Orçamento de 2009, foram executados até agora apenas R$ 748 milhões, 1,5% do total de investimentos aprovados pelo Congresso (R$ 49,9 bilhões).

As despesas com pessoal somaram R$ 52,8 bilhões até abril, com expansão real de 19,2% em relação ao mesmo período de 2008. O aumento dessas despesas reflete os reajustes autorizados pelo governo para o funcionalismo em 2008, que terão impacto na folha de pagamentos até 2012. Só este ano, o governo prevê gastos totais de R$ 169 bilhões com o funcionalismo e não dá sinais de que voltará atrás nos reajustes, mesmo com a crise na economia.

Gastos em alta e arrecadação em queda podem afetar PAC As demais despesas correntes ¿ o bloco que reúne o maior volume de gastos da União, inclusive o custeio da máquina administrativa, benefícios previdenciários e programas do governo como o Bolsa Família ¿ chegaram a R$ 166,3 bilhões nos primeiros quatro meses do ano.

Em relação ao primeiro quadrimestre de 2008, houve um crescimento real de 14,2%. Esses gastos somaram R$ 145,7 bilhões até abril do ano passado, valor já corrigido pela inflação do período.

Só com aposentadorias e pensões, por exemplo, o governo gastou R$ 91,3 bilhões até abril. Os números da execução do Orçamento estão no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

O aumento das despesas correntes, combinado com a queda na arrecadação de impostos e contribuições ¿ que em abril mostrou-se ainda mais acentuada ¿ deve impedir, na prática, a ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura financiados com recursos do Orçamento e cruciais para acelerar a economia em tempo de crise.

Dentro desse grupo de despesas estão os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo. As obras enfrentam também problemas de gestão para deslanchar.

No fim de março, o governo anunciou um corte de despesas de R$ 25 bilhões, incluindo custeio e investimentos, mas naquele momento ainda estava prevendo um crescimento de 2% para a economia em 2009.