Título: Hosni: queima de livros era metáfora
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 20/05/2009, O País, p. 4
Egípcio apoiado pelo Brasil diz que é a vez dos árabes no comando da Unesco
O ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosni, que tem o apoio do Brasil para a diretoria geral da Unesco - em detrimento das candidaturas dos brasileiros Márcio Barbosa, diretor adjunto da entidade, e Cristovam Buarque, senador - disse que as acusações de que ele é antissemita foram "uma emboscada armada pelos governos de Israel e dos Estados Unidos" para minar suas chances num momento em que, segundo ele, "chegou a vez de o mundo árabe dirigir a Unesco".
- Esses dois países são a fonte que dissemina esse tipo de coisa e demonstram ignorância. Afinal, tanto judeus quanto árabes somos semitas. Quem não conhece esse fato não conhece História - afirmou Hosni ao GLOBO ontem, pouco depois de desembarcar no Rio, onde participa até amanhã da II Reunião de Ministros de Cultura da América do Sul e de Países Árabes.
Ele reconheceu ter dado munição aos adversários com declarações contra Israel e uma célebre ameaça: queimar pessoalmente livros israelenses que encontrasse em qualquer biblioteca do Egito. Hosni confirmou ter dito isso. Mas afirmou que a frase foi retirada de contexto "depois de o Egito declarar que eu seria candidato a diretor da Unesco". Empenhado em evitar mais estragos, alegou que não era aquilo que pretendia dizer. Alegou que falara em sentido figurado:
- Queimar livros? Não aconteceu literalmente. Disse que queimaria, mas não pretendia que acontecesse exatamente isso. Foi um uso metafórico, alegórico. Quando você perde a calma geralmente diz "vá para o inferno" sem, na verdade, pretender que o outro vá para o inferno.
Ele reagiu indiretamente a Barbosa, que definiu sua candidatura como "quase uma piada". Para Hosni, sua vitória é praticamente certa:
- Não gosto de falar sobre isso, mas tenho apoio de mais de 30 países (de 58 que votarão em setembro próximo) - afirmou, se dizendo orgulhoso do apoio brasileiro:
- O governo brasileiro tomou uma decisão honesta e objetiva, pois cada área geográfica deve ter sua vez. Agora é a vez do mundo árabe.