Título: Base ameaça oposição para esvaziar CPI
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 24/05/2009, O País, p. 8
Parlamentares de DEM e PSDB são procurados por governistas e recebem recado de que podem ser atingidos.
BRASÍLIA. Antes de sua instalação, a CPI da Petrobras já provoca uma guerra de ameaças nos bastidores envolvendo caciques da oposição e do governo. Essa pressão, que surge principalmente da base aliada, é vista no Senado como uma última tentativa para estabelecer um acordo com o objetivo de esvaziar a CPI.
Nos últimos dias, integrantes de PSDB e DEM foram devidamente alertados de que as investigações da Petrobras também podem atingir integrantes da oposição, como uma forma de chantagem para intimidar o surgimento de novas denúncias. Em conversas reservadas, já começa a surgir todo o tipo de ameaça.
¿O governo está ameaçando de todo jeito¿, diz Guerra Nesse clima de intimidação, até o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), chegou a ser procurado por um influente petista. O recado foi direto: que a oposição pegasse leve na CPI. Caso contrário, todos seriam atingidos. O governo já identificou que tucanos e democratas querem utilizar a CPI para mapear o chamado ¿caixa de campanha¿, com doações de fornecedoras da Petrobras para partidos e campanhas de políticos.
¿ Todo mundo que é contrariado tem o direito de ser ouvido por alguém. Por que não a CPI? Claro que o medo do Gabrielli são os fornecedores.
Dizer que essa empresa está exaustivamente fiscalizada é uma brincadeira! Por isso, o governo está ameaçando de todo jeito ¿ reagiu Guerra, numa referência ao presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.
Wagner: ¿Eles controlaram o caixa da empresa por 8 anos¿ Existe um temor no núcleo do governo de que o foco da CPI passe a ser o das doações de campanha dos fornecedores da Petrobras. Diante disso, os petistas avisam que essas doações são feitas para todos os partidos. Para reforçar esse argumento, assessores do Palácio do Planalto citam com frequência a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que identificou doações da empreiteira Camargo Corrêa para campanhas de políticos de oposição. A investigação da PF apurou denúncias de superfaturamento nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
¿ Acho estranho a oposição levantar a suspeita sobre o uso de caixa dos fornecedores da Petrobras. Se alguém levanta essa suspeita, posso perguntar se eles não fizeram isso. Até porque eles controlaram o caixa da empresa durante oito anos. E olha que a estatal não tinha o desempenho que tem hoje ¿ rebateu o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), padrinho da indicação de Gabrielli na Petrobras.