Título: Para onde vamos agora?
Autor: Queiroz, Silvio
Fonte: Correio Braziliense, 01/04/2009, Economia, p. 18
Nossos valores são incompatíveis com o terror, a guerra e a chacina. Obama deve notar que a era de obtenção da superioridade por meio das armas acabou
As ações do presidente George W. Bush durante seu governo causaram ódio e desconfiança em relação aos Estados Unidos no mundo todo. Mas, para ser justo, ele também foi um dos mais honestos chefes de Estado americanos, porque suas atitudes correspondiam às palavras. Historicamente, o Partido Democrata tem sido menos honesto que o republicano. Espero que Barack Obama mude essa impressão e se torne o mais honesto líder dos EUA.
A recente mensagem de Obama ao Irã, por ocasião do ano-novo persa, continha alguns sinais encorajadores ¿ e alguns negativos. O presidente expressou o desejo de conversar abertamente com líderes iranianos. O desejo é promissor. A República Islâmica do Irã aprecia o comportamento amigável baseado no respeito para com outras culturas e nações.
Apoiamos a justiça e a ética humana nas relações internacionais. No entanto, condenamos comportamentos arrogantes, opressores e insultantes. Os EUA têm um longo histórico de interferência em assuntos domésticos iranianos, começando pelo apoio ao regime ditatorial do xá Reza Pahlevi. O país financiou contrarrevolucionários para atacar a República Islâmica do Irã e congelou dinheiro e propriedades dos iranianos nos próprios EUA e na Europa.
Há provas de que os EUA também motivaram o regime ditatorial iraquiano de Saddam Hussein a atacar o Irã em 1980. Durante os oitos anos de guerra, os EUA intercederam por Saddam, derrubando um avião de passageiros iraniano e impondo amplas sanções econômicas e comerciais a Teerã. Por décadas, os EUA têm despejado retórica insultante em nossa nação e feito ameaças contínuas de derrubar o governo. Puseram obstáculos ao progresso do Irã nos campos tecnológico e científico. Por todas essas razões, os apelos de Obama por responsabilidade e honestidade devem ser colocados à prova.
No entanto, estamos contentes ao observar que Obama parece tentar reabilitar a imagem manchada dos EUA. Seus esforços para substituir a retórica agressiva pela linguagem da paz e do respeito mútuo é um passo à frente. Se essa mudança de tom se manifestar na prática em políticas oficiais, terá sido um movimento importante para reparar a impressão dos EUA aos olhos de outras nações.
Os EUA recorreram à violência, à guerra e à carnificina pelo mundo com frequência nas últimas décadas, em parte devido ao desejo de seus líderes por hegemonia e, em parte pela manipulação sionista na administração americana. Obama falou em criar laços diplomáticos construtivos entre os EUA e o Irã. Primeiro, ele deve curar as profundas e antigas feridas infligidas ao Irã e começar a corrigir os desentendimentos resultantes de condutas equivocadas de administrações anteriores.
Em sua mensagem de ano-novo, Obama, por um lado, demonstra apreço pela civilização iraniana, sua cultura, arte, música, literatura e inovação. Por outro, acusa o Irã de terrorismo, de buscar armas de destruição em massa. Essas posturas antagônicas são mutuamente excludentes. Obama precisa romper com ideias desvirtuadas de outros governos e promover políticas pacíficas. Ao manter os verdadeiros princípios islâmicos, o Irã não tem ambições sobre territórios de outros países, nem os atacou. Sempre agimos apenas para defender nossa terra. Queremos o bem de outros países, e até rezamos por nossos inimigos.
Nossa civilização, cultura, crença, tradição e nossos valores são incompatíveis com o terror, a guerra e a chacina. Obama deve notar que a era de obtenção da superioridade por meio das armas e do terrorismo de Estado acabou. Obama expressou a vontade de ver nossa República Islâmica ocupar seu verdadeiro lugar na comunidade internacional. Mas devemos alertar que o Irã já ocupa uma posição de destaque na comunidade internacional. O presidente Ahmadinejad é um dos mandatários mais admirados no mundo. E nações que amam a liberdade, em todos os cantos da Terra, amam o Irã.
Em todo o planeta, vale lembrar, as únicas bandeiras queimadas são a dos EUA e a do regime sionista. Obama proclamou uma política de ¿mudança¿, e o povo americano a respaldou. A mudança é mandatória no governo dos EUA. A história demonstra: ou você muda, ou é forçado a mudar.
-------------------------------------------------------------------------------- Ali Akbar Javanfekr é o conselheiro de imprensa do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad. Escreveu este artigo para o Los Angeles Times