Título: O Brasil não é comandado pelos ruralistas
Autor: Damé, Luiza; Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 03/06/2009, O País, p. 8

Minc afirma que país não tem Bolsa Latifundiário

BRASÍLIA e RIO. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, voltou a atacar ontem os ruralistas. Depois de afirmar que a pecuária é o principal vetor do desmatamento na Amazônia, Minc disse que os ruralistas estão "desesperados" e que querem tirá-lo do governo. Ressaltou que quem governa o Brasil é o presidente Lula, e não os ruralistas. E afirmou que, se no lugar do presidente estivesse um ruralista no poder, haveria o "Bolsa Latifundiário" em substituição ao Bolsa Família.

- O fato de os ruralistas estarem preocupados com a minha permanência no ministério me faz achar que estou no caminho certo, que estou enfrentando aqueles que acham que podem destruir impunemente os biomas brasileiros com monocultura, queimadas e agrotóxicos. Que me conste, o Brasil é comandado pelo presidente Lula, e não pelos ruralistas - afirmou.

Minc disse que procuraria a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), para retribuir um presente que ganhara dela, uma peça de artesanato de comunidades extrativistas da Amazônia. Antes de a senadora criticar Minc em plenário, ele afirmou que tentaria fechar um acordo com a senadora, que chamou de "agradável e hábil".

- Não queremos discriminar ninguém. Queremos que todos os agricultores, pequenos, médios e grandes, possam trabalhar respeitando o meio ambiente e os ecossistemas.

Segundo Minc, haverá tratamento diferenciado à agricultura familiar. Mas isso não significa que seu ministério não queira entendimento com médios e grandes agricultores.

- Podem me insultar e pedir minha cabeça, que vou continuar governando, continuar coibindo vossos crimes ambientais, e vou continuar os procurando para grandes acordos que façam bem ao meio ambiente.

No Rio, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) admitiu ter cometido um erro ao financiar pecuaristas que vêm desmatando a Amazônia e ter se tornado sócio delas. O equívoco teria se concretizado por um lapso técnico. Em vez de averiguar se as firmas tinham ficha limpa, o banco se preocupava em checar só o licenciamento dos frigoríficos.

- Se você olha o licenciamento de um frigorífico, vai ver que está tudo certo. Mas o licenciamento não cobre tudo - constatou o chefe do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, Eduardo Bandeira de Mello.

Segundo ele, o banco planeja duas providências: cancelar o crédito a pecuaristas desmatadores e transferir a vigilância a terceiros.