Título: Minc admite derrotas, mas diz que teve vitórias
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Fonte: O Globo, 08/06/2009, O País, p. 4
Ministro cita criação do Fundo da Amazônia e de áreas de preservação como conquistas de sua pasta
BRASÍLIA. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu que foi derrotado na negociação dos decretos das cavernas e da compensação ambiental, mas disse ontem que, em um ano no cargo, também teve vitórias importantes. Segundo ele, no período em que está no ministério, o governo criou o Fundo da Amazônia, implantou o plano de mudanças climáticas, com metas de redução da emissão de CO e criou seis milhões de hectares de área de preservação, além da redução do índice de desmatamento na Amazônia.
- Aí é que reside o perigo. Se fizer tudo certo e dobrar o desmatamento, Carlinhos Minc vira churrasco - disse.
Minc destaca mais rigor da punição a crimes ambientais
Segundo o ministro, a previsão é que este ano o nível de desmatamento seja o menor dos últimos 20 anos. Ele atribuiu o resultado a medidas adotadas pelo governo, como a proibição de liberação de crédito nos bancos oficiais para quem desmata a Amazônia e o endurecimento da punição para os que cometem crimes ambientais, conforme decreto assinado em julho do ano passado pelo presidente Lula. Segundo Minc, esse decreto permitiu a realização de leilões de bois e madeiras piratas.
Minc disse que, desde que assumiu o ministério, em junho de 2008, o governo criou seis milhões de hectares de área de preservação. Sexta-feira, em Caravelas, Lula assinou o decreto criando quatro unidades de preservação no Ceará, na Bahia, no Pará e na Foz do São Francisco, entre Alagoas e Sergipe, num total de 500 mil hectares.
- Quando cheguei, eram 72 milhões de hectares e lá se vão 50,60 anos - afirmou.
No mesmo evento, também foi autorizado o pagamento por serviços ambientais, que vai beneficiar a agricultura familiar, e o manejo florestal comunitário, reivindicação de seringueiros, castanheiros, quilombolas e ribeirinhos. Minc disse que obteve do presidente o compromisso de que o Pantanal e a Amazônia ficarão livres de usinas de cana e que não haverá hidrelétricas no Rio Araguaia.
- De fato, nesses dois casos (cavernas e compensação ambiental), não obtive o que pedi - afirmou o ministro, sobre o decreto de Lula que protege só as cavernas de "máxima relevância", sendo que as demais poderão ser derrubadas.
O outro decreto fixou em 0,5% o percentual de compensação ambiental que as empresas têm de pagar por obras de impacto na natureza.