Título: Economia deve recuar entre 1% e 1,5% em 2009
Autor: D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 10/06/2009, Economia, p. 31

O ex-diretor do Banco Central Paulo Vieira da Cunha, economista da Global Tandem, um dos maiores fundos de investimento dos Estados Unidos, acha que o resultado do PIB foi "menos ruim do que se esperava". Mas ele continua prevendo que a economia vai encolher entre 1% e 1,5% este ano.

Qual é sua impressão do resultado divulgado pelo IBGE?

PAULO VIEIRA DA CUNHA: O resultado do PIB foi menos ruim do que se esperava. Mas isso se deve ao fato de que houve ajuste sazonal do cálculo. A cada trimestre, o cálculo do PIB muda seu padrão de sazonalidade e, como no ultimo trimestre de 2008 houve uma queda forte, este padrão foi muito alterado. Se anualizarmos o resultado, teremos queda de 3,3%, A expectativa é de que haja crescimento positivo do PIB nos próximos dois trimestres. O número divulgado pelo IBGE, de -0,8%, foi abaixo ao das expectativas aqui em Nova York, que giravam entre -2,8% e -1,8%.

O mercado interno brasileiro continua forte?

VIEIRA: Sim e isto se deve a dois fatores: mesmo tendo havido queda do emprego, registrou-se aumento da renda média mensal, porque a inflação caiu, e também devido à política fiscal do governo, que serviu para estimular a atividade econômica.

Qual é a sua expectativa para 2009?

VIEIRA: O Brasil tecnicamente entrou em recessão, mas acredito que terá dois trimestres positivos este ano. As empresas tendem a recompor seus estoques, o que não significa que haja elevação da demanda. Os números de investimentos, por exemplo, continuam muito baixos e, como a queda foi de 42%, este resultado não sugere uma retomada a curto prazo. Uma previsão realista é a de que a economia feche 2009 com PIB negativo, entre 1% e 1,5%, apesar da previsão de que os dois últimos trimestres serão de crescimento.

Diante deste resultado, qual é a expectativa para os juros e o dólar?

VIEIRA: A queda dos investimentos e a desaceleração do PIB levam à expectativa de que os juros caiam mais. Há espaço para que eles fiquem abaixo do 9%, entre 8,75% e 8,5%. Já um câmbio próximo de R$2 é o mais previsível.