Título: Economistas preveem PIB melhor
Autor: D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 10/06/2009, Economia, p. 31

Corretora que esperava queda de até 1% este ano agora projeta crescimento zero.

O resultado surpreendente do primeiro trimestre do ano levou a Concórdia Corretora a rever a projeção de Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos pelo país) para 2009. Trabalhando inicialmente com números negativos, que variavam de -0,5% a -1%, a instituição passou a prever crescimento zero. Os bancos Bradesco e Itaú Unibanco também estão revisando suas projeções para o ano, mas as duas instituições preferem esperar a divulgação de alguns indicadores econômicos do mês de maio para reduzir a margem de erro. Até agora, o Itaú Unibanco projetava queda de 2% para o PIB de 2009.

Para o economista Paulo Levy, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), está praticamente afastada a possibilidade de queda do PIB neste ano.

- A indústria vem se recuperando. Se considerarmos os números de abril, comparando com a média do primeiro trimestre, já teremos alta de 2,4% no setor. Juntamente com o estoque menor, devemos evitar o PIB negativo este ano.

Apesar de negativo, o PIB do primeiro trimestre surpreendeu positivamente o departamento Econômico do Bradesco, que estava trabalhando com uma taxa de -3% para o trimestre, se comparado com o mesmo período do ano anterior. O banco agora projeta tendência de alta para o PIB do segundo trimestre.

- Estamos trabalhando com uma tendência de melhora a cada trimestre - diz Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora, comentando que ficou surpreso com a reação do consumidor, que foi às compras. - Não acreditávamos nesta reação.

"O pior ficou para trás", diz LCA Consultores

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, se disse convencido de que, "se nada mais dramático acontecer no cenário internacional", o país pode fechar o ano com um PIB positivo, já que o mercado doméstico está conseguindo sustentar o crescimento, a despeito das fortes quedas em investimento e exportação.

Já a Austin Rating tem dúvidas se o país enfrentará ou não novos ciclos negativos.

- Acho que saímos do terreno de PIB negativo - avalia o economista-chefe da instituição, Alex Agostini, comentando que os indicadores sinalizam para uma alta no segundo trimestre. - Devemos crescer 0,7% este ano.

Para Bráulio Borges, da LCA Consultores, o resultado do primeiro trimestre "ajudou a reiterar a avaliação de que o pior ficou para trás".

COLABOROU Cássia Almeida