Título: Brasil perde de Índia e China, mas ganha de ricos
Autor: D'Ercole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 10/06/2009, Economia, p. 31

PANCADA MENOR: No mesmo período, a economia do Japão registrou retração de 9,1%, e a da Alemanha, de 6,9%

Entre emergentes, país também fica atrás da Polônia. Em lista de 29 nações, só sete tiveram melhor desempenho que o brasileiro

SÃO PAULO. Com o recuo de 1,8% no Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), ante igual período de 2008, a economia brasileira ficou atrás de dois de seus pares no grupo dos Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China, os principais países emergentes do mundo). No período, China e Índia mantêm taxas de crescimento expressivas: de 6,1% e 5,8%, respectivamente. Já o PIB da Rússia desabou 9,5% nos primeiros três meses deste ano, o primeiro recuo desde o início da crise - havia crescido 1,2% no último trimestre de 2008. Entre os emergentes, o país também ficou atrás da Polônia (com expansão de 1,89%). Mas superou o Chile, que teve retração de 2,1%.

- A crise não teve impacto em todos os países ao mesmo tempo, e a Rússia está chegando atrasada, com sérios problemas no setor financeiro - explica, Ricardo Brito, economista do Insper (ex-Ibmec São Paulo).

Embora tenha colocado o país em processo de recessão técnica, o desempenho do PIB no primeiro trimestre mostra que a economia brasileira se distancia dos problemas agudos que comprometem o nível de atividade da maioria dos países desenvolvidos. Entre 29 países que já divulgaram o resultado do PIB do trimestre passado, o Brasil aparece na oitava posição, logo atrás da Suíça, cuja economia encolheu 1,6% no período. E à frente da grande maioria dos países industrializados - no Japão a retração foi de 9,1%, e na Alemanha, de 6,9%.

- O Brasil é um dos poucos que reúne menos condições adversas. Não teve a crise bancária dos desenvolvidos, não é grande exportador de uma única commodity nem depende de um único mercado (como o México). E tem políticas (cambial e monetária) que preservam a economia - observa Roberto Padovani, economista-chefe do banco WestLB no Brasil.

Para o economista Fernando Blumenchein, da FGV Projetos, embora em condição menos grave, a economia brasileira não superou o baque da crise. Além da brusca retração das exportações, o país se ressente da contração na oferta de crédito entre o fim de 2008 e o começo deste. Para retomar o ritmo de expansão, diz, o Brasil dependerá da recuperação das economias industrializadas.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, afirma que o vigor do consumo das famílias traz perspectivas "muito positivas" para a economia. Brito, do Insper, também vê no potencial doméstico, aliado à volta do capital externo ao mercado financeiro, fatores capazes de acelerar a retomada da economia já neste ano.