Título: Empresa patrocinada levou Santarosa a Roland Garros
Autor: Otavio,Chico ; Farah,Tatiana
Fonte: O Globo, 05/07/2009, O País, p. 3
Ex-dirigente do SindiPetro Campinas e da CUT-SP, executivo controla verbas de publicidade e patrocínio
A Koch Tavares, empresa de marketing esportivo patrocinada pela Petrobras, levou pelo menos duas vezes o gerente executivo de Comunicação Institucional da estatal, Wilson Santarosa, para assistir ao torneio de Roland Garros, em Paris. Nas duas ocasiões, o executivo teria ficado cinco dias na capital francesa. O diretor comercial da Koch, Douglas Jorge, admitiu a possibilidade de ter havido mais uma viagem: ¿ Duas, com certeza. Mas podem ter sido três. Não me lembro bem.
Ele foi convidado porque, durante o torneio, se reuniu com representantes da Associação de Tênis Profissional para discutir a internacionalização da marca Petrobras em eventos de tênis. Roland Garros era uma boa oportunidade.
Somente no ano passado, a estatal repassou R$ 8,3 milhões para a Koch, patrocinada pela empresa desde 2004, quando lançou a Copa Petrobras de Tênis, na forma de uma série de torneios pela América do Sul (Roland Garros não tem patrocínio da Petrobras). Foi neste ano, segundo Douglas, que a Koch teria promovido a primeira viagem a Paris. Geralmente, a Koch hospeda os seus convidados vips no luxuoso hotel Plaza Athénée, mas o diretor Comercial afirma não se recordar onde o executivo ficou.
Mulher é lotada na Transpetro, e filha, em ONG parceira
Santarosa comanda as verbas de publicidade e patrocínio da Petrobras desde 2003. Quando foi chamado, ele estava à frente da Ceasa, a central de abastecimento de Campinas, na gestão do PT. Ex-presidente do SindiPetro Campinas, ex-dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da CUT-SP, nunca foi uma liderança do partido.
Pelo menos mais dois parentes seus têm relação com a Petrobras.
Geide Miguel Santarosa, segunda mulher e ex-assessora de imprensa do SindiPetro Campinas (onde se conheceram), é ouvidora-geral da Transpetro. O casal mora com a filha, pré-adolescente, na Zona Sul do Rio.
As duas filhas do primeiro casamento ficam em Campinas. Uma delas, a bióloga Patricia Lia Santarosa, trabalha há três anos numa entidade que tem parceria com a estatal na cidade, a Fundação José Pedro de Oliveira (FJPO). Criada por lei municipal há 28 anos, a fundação trabalha na preservação da Mata de Santa Genebra, no bairro de Barão Geraldo.
Em 2003 e 2004, a Petrobras firmou um convênio com a FJPO para o plantio de uma área de 55 mil metros quadrados no entorno da mata utilizando mudas do viveiro local. O patrocínio, de acordo com a prefeitura, foi de R$ 126 mil. Na reserva florestal e no site da fundação, a Petrobras consta como parceira da Mata de Santa Genebra até hoje, assim como a Comgás e outras patrocinadoras, mas, de acordo com o presidente da fundação, José Aires de Moraes, a estatal não financia projetos ¿há anos¿.
Moraes, que tomou posse como presidente da entidade em janeiro, afirmou que sabe apenas da parceria da FJPO com a Petrobras para a recuperação da borda da mata, e não sabia dizer o valor total do projeto. Sobre a bióloga Patrícia Lia Santarosa, Moraes afirmou que não existe um quadro de funcionários da própria fundação, e que todos são cedidos por parceiros ou pela prefeitura.
¿ Patricia foi cedida pela prefeitura.
É uma ótima funcionária.
Formada na Unicamp, ela é coordenadora técnico-científica da fundação. Em janeiro, foi nomeada para a Comissão de Licitação da FJPO, de acordo com o Diário Oficial da prefeitura. A prefeitura foi procurada para informar se Patrícia é funcionária de carreira ou se tem cargo comissionado. No entanto, até o fechamento da edição, a assessoria de imprensa não retornou os telefonemas.