Título: No DF, 50 mil são beneficiados na rede fundamental
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 12/07/2009, O País, p. 8
Segundo secretário, ensino integral pode ser universalizado até 2014
BRASÍLIA. Lançado ano passado, o programa de educação integral do Distrito Federal já beneficia cerca de 50 mil estudantes da rede pública de ensino fundamental, diz o secretário de Educação do DF, José Luiz Valente. A iniciativa beneficia 15% dos alunos em 200 escolas. Segundo Valente, se o atual ritmo de investimento for mantido, o ensino integral poderá ser universalizado até 2014.
O esforço do DF soma-se ao de prefeituras que também apostam na ampliação da carga horária. Seja com atividades escolares ou extraclasse, como é o caso do programa Bairro Escola, em Nova Iguaçu (RJ), que aproveita a infraestrutura de associações de moradores, clubes e órgãos públicos. Belo Horizonte (MG), Palmas (TO), Sorocaba (SP) e Apucarana (PR) também estão na lista.
Valente conta que o objetivo do turno integral é melhorar a aprendizagem, compensando a defasagem cultural de boa parte dos alunos. O secretário lembra que o crescimento populacional do DF nas últimas décadas ocorreu em cidades-satélites criadas sem planejamento e, portanto, sem escolas.
Quase todos os docentes têm diploma de nível superior
Assim, observa o secretário, os índices de repetência e atraso escolar contrastam com o nível de formação dos professores e com o investimento por aluno. Praticamente todos os docentes têm diploma de nível superior e metade já concluiu a especialização.
- Muitos alunos trazem consigo uma defasagem cultural e familiar enorme. Tem gente que não conhece o Plano Piloto. Entendemos que a educação integral é a forma de corrigir isso - diz Valente.
A adesão das escolas é voluntária. O programa mobiliza também 2.870 universitários, que recebem bolsas do governo do DF para frequentar faculdades privadas. Em contrapartida, eles dedicam 20 horas semanais ao projeto, atuando como monitores.
- Eu aprendo mais aqui do que tenho condições de retribuir. Tudo é supersimples, mas tudo funciona - diz o estudante do curso tecnológico de produção publicitária Djalma Maia, de 36 anos, que é monitor de educação física na Cidade Escola de Candangolândia.
O secretário de Educação Integral do DF, Marcelo Aguiar, diz que o maior obstáculo é a falta de espaço para atender mais alunos.
Já o presidente-executivo do Movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, observa que a expansão do ensino integral requer mais recursos e professores qualificados:
- Tem que ser uma política de Estado. Mesmo que se tivesse toda a grana do mundo, hoje não teria professor para dar conta, em tempo integral, de todas as escolas de ensino médio. (Demétrio Weber)