Título: Na PF, investigação sobre fraudes no crédito consignado estão paradas
Autor: Carvalho,Jailton de
Fonte: O Globo, 23/07/2009, O País, p. 5

Justiça não decidiu ainda sobre quebra de sigilo do ex-diretor Zoghbi

Jailton de Carvalho

BRASÍLIA. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre supostas fraudes nas operações de crédito consignado no Senado estão parcialmente paradas. A polícia e o MP estão aguardando há 41 dias a decisão do juiz Ricardo Augusto Soares, da 10aVara Federal, sobre o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-diretor da Secretaria de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, do filho dele Marcelo Zoghbi e da Contact, entre outras empresas e pessoas investigadas.

Sem acesso às contas e às declarações de renda, os investigadores não têm como analisar a movimentação financeira de Zoghbi.

¿ Até agora não temos nenhuma decisão, nem contra nem a favor. Sem isso, fica difícil avançar ¿ disse ao GLOBO uma das autoridades do caso.

Diante das dificuldades, a Polícia Federal decidiu desmembrar o inquérito principal em dois. No primeiro, o delegado Gustavo Buquer está investigando decisões dos diretores do Senado que se configurariam crimes contra a administração pública.

É a parte menos complexa das investigações. Até o momento, o delegado já interrogou 70 pessoas, a maioria funcionários do Senado que recorreram a empréstimos vinculados a descontos na folha de pagamento, os chamados créditos consignados.

A polícia obteve importantes avanços e, dentro de um mês, poderá encerrar as investigações com o indiciamento de Zoghbi e outros acusados.

Inquérito sobre lavagem é parte mais difícil No segundo inquérito, que depende da decisão judicial sobre quebras de sigilo, será apurado o suposto envolvimento de Zoghbi em lavagem de dinheiro.

Esta deve ser uma investigação mais demorada. Os investigadores terão de rastrear movimentações financeiras e levantamentos mais detalhados sobre supostas tentativas de ocultação de patrimônio.

¿ As investigações da Operação Satiagraha sobre lavagem de dinheiro demoraram um ano.

Estão terminando agora. É a parte mais difícil ¿ afirma uma autoridade que está acompanhando o caso de perto.

A PF abriu inquérito, a pedido do Ministério Público, para investigar o suposto envolvimento de Zoghbi com irregularidades na contratação de bancos interessados em operar créditos consignados no Senado. A suspeita é que o ex-diretor tenha usado das prerrogativas do cargo que ocupava para facilitar a contratação de determinados bancos para o cobiçado mercado de crédito com desconto em folha. Ele teria até usado o nome da ex-ama de leite numa empresa para intermediar os empréstimos.

Na lista de investigados estão as empresas Contact, DMZ e o Banco Cruzeiro.