Título: Para economista, quadro não muda neste governo
Autor: Alvarez, Regina
Fonte: O Globo, 26/07/2009, O País, p. 8

Alcides Leite diz que prioridade é a eleição de Dilma Rousseff

BRASÍLIA. O economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, considera que o aumento dos investimentos públicos é fundamental, não apenas como política anticíclica de combate à crise, como também para dar sustentabilidade a uma política de juros civilizados no médio e no longo prazos.

Sem um aumento substancial nos investimentos, para acabar com os gargalos na área de infraestrutura, o país corre o risco de ter que elevar os juros quando a economia voltar a crescer, alerta, destacando que isso seria um enorme retrocesso.

Leite, porém, mostra-se cético em relação a uma mudança significativa no patamar de investimentos ainda no governo atual.

¿ Só haverá condições para isso no próximo governo. No atual, a prioridade é política, é a eleição da Dilma. Torcemos para que o avanço do investimento venha do setor privado, do setor externo. A crise nos ajudou a baixar os juros e permitiu que o mundo enxergasse o Brasil de outra forma. Mas estamos vivendo o final de um ciclo, e o próximo governo terá que mudar a estratégia e as prioridades do gasto público ¿ disse.

Governo fez escolha política, diz economista Na visão do economista, o governo fez uma escolha política ao optar pela elevação dos gastos correntes em proporção maior do que os com investimentos, no primeiro semestre.

¿ Na crise, qualquer gasto é contracíclico. A crítica é do ponto de vista estrutural. O investimento traz retorno de médio e longo prazo, e os gastos correntes têm retorno imediato. A motivação foi política ¿ disse.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, Paulo Godoy, reconhece que a execução orçamentária dos investimentos e a dos gastos correntes têm velocidades diferentes. É muito mais rápido executar os gastos com custeio e, no caso dos investimentos, são muitos os obstáculos pelo caminho, observa: ¿ Investir em infraestrutura é uma corrida de obstáculos e, muitas vezes, o país não consegue gastar os recursos orçamentários disponíveis nesta área.

Godoy sugere que o governo, para acelerar os investimentos neste momento de crise, melhore a gestão interna das instituições públicas, eliminando sobreposição de funções e a burocracia.

¿ No momento em que deveríamos estar investindo a pleno vapor na infraestrutura, criando mais empregos e colocando o país num patamar muito mais qualificado, o Brasil está perdendo competitividade internacional e a oportunidade de se colocar em novos mercados, pelos altos custos da logística e pelas dificuldades de escoamento de seus produtos ¿ afirma Flávio Benatti, vice-presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT)