Título: Lula defende redução de CO2
Autor: Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 02/09/2009, Ciência, p. 33

Presidente quer negociar uma proposta climática única para Copenhague

Enviado especial ¿ VITÓRIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Vitória que vai tentar orquestrar a conciliação de projetos para mitigação do aquecimento global de diversos países para que as nações cheguem à Conferência Internacional do Clima, em dezembro, na Dinamarca, com uma proposta única. Lula defendeu a adoção de uma proposta mais radical do que as debatidas atualmente, com redução do uso de combustível fóssil a longo prazo e das emissões de CO2.

Durante um encontro empresarial entre Brasil e Alemanha, Lula afirmou que o assunto estará na pauta da visita que fará à chanceler alemã, Angela Merkel, em dezembro. Para o presidente, outros países poderão se somar ao esforço de obtenção um projeto com mais facilidade de aceitação.

¿ Eu disse aos companheiros da Alemanha que seria importante que o país tivesse a sua proposta preparada, que o Brasil tenha a sua proposta preparada e que a gente possa, antes de Copenhague, os dois grupos, se encontrar, para ver se pode chegar lá com uma posição única entre Brasil, Alemanha, EUA e outros países importantes que precisam assumir responsabilidades ¿ afirmou.

O presidente disse que as propostas precisam ser mais radicais que muitas das que estão sendo discutidas no mundo no momento.

Para Lula, é necessário uma política de longo prazo de redução do uso de combustíveis fósseis e de redução da emissão de gases do efeito estufa.

¿ De vez em quando eu vejo as pessoas discutirem que, se os países ricos pudessem pagar um fundo para sequestrar carbono, estaria resolvido o problema. Não. É preciso que a gente ajude os países pobres a ganharem algum recurso com o sequestro de carbono, mas é preciso que a gente discuta a diminuição da emissão de gases de efeito estufa pelos países ricos, e cada país assumir um compromisso em função daquilo que emite de gases de efeito estufa, ou ganhar em função daquilo que ele sequestra de carbono ¿ afirmou Lula.

Ele sugeriu novamente incluir nas discussões sobre o clima e o desenvolvimento dos biocombustíveis. Em sua opinião, se muitos países não querem que o Brasil seja o grande fornecedor de etanol ¿ para que não haja o risco de desmatamento da Amazônia ¿ uma produção de álcool em larga escala poderia ser feita em outros países.

¿ Até porque hoje a questão climática não é mais uma discussão de malucos, de jovens. É uma questão de sobrevivência da Humanidade, de vantagem comparativa para o empresário que atuar corretamente, aquele que menos poluir e que mais contribuir para o sequestro correto do carbono já emitido ¿ comentou o presidente