Título: Irã diz estar pronto para reabrir diálogo sobre programa nuclear
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Fonte: O Globo, 02/09/2009, O Mundo, p. 32

Mas os EUA exigem proposta concreta. Potências se reúnem hoje na Alemanha

PARLAMENTARES IRANIANOS gritam ¿morte a Israel¿ durante sessão

TEERÃ. Um dia antes de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha se reunirem para discutir as próximas medidas a serem tomadas em relação ao controverso programa nuclear iraniano, negociadores de Teerã disseram ontem estarem prontos para reabrir as negociações. No entanto, os Estados Unidos ¿ que se encontram hoje na Alemanha com representantes do país anfitrião e de França, Reino Unido, Rússia e China ¿ disseram que ainda aguardam propostas concretas para analisar.

¿ O Irã preparou um pacote revisado de propostas e está pronto para sustentar diálogos com as potências mundiais a fim de acalmar as preocupações comuns na arena internacional ¿ disse o negociador iraniano Saeed Jalili à imprensa.

O presidente Barack Obama havia determinado até o fim de setembro o prazo para que o Irã considerasse uma oferta, feita inicialmente em abril pelas potências mundiais, de paralisar parte de sua produção nuclear em troca de incentivos financeiros. Passado o prazo, os EUA considerariam aplicar novas sanções ao Irã, que nega ter pretensões armamentistas e afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis.

¿ Já vimos informes mas não recebemos nada conclusivo dos iranianos sobre isso ¿ disse o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs. ¿ Mas sempre foi nossa esperança e nosso objetivo que os iranianos cumpram com suas obrigações internacionais e desistam de seu programa de armas nucleares ¿ disse Gibbs.

Legisladores defendem terrorista para a Defesa

Apesar do aceno de negociadores à comunidade internacional, ontem legisladores iranianos mostraram respaldo ao governo do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad ao defender a escolha de Ahmad Vahidi como ministro da Defesa ¿ mesmo sendo Vahidi procurado na Argentina por participação num atentado a bomba contra um centro judaico em 1994, com 85 mortos.

Em 2007, a Interpol disse à Argentina que ajudaria a prender Vahidi e os outros quatro iranianos procurados por ligação ao atentado. Na época, Vahidi era comandante da Força Quds, uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã.

Votação marcada para hoje será teste para Ahmadinejad

A votação para a confirmação de Vahidi no cargo está marcada para hoje junto com a de todos os 21 indicados de Ahmadinejad para integrar seu Gabinete. A sessão é tida como um teste para o presidente, alvo de críticas internas e até de ex-partidários, que o acusam de indicar apenas aliados, muitas vezes sem qualificação técnica.

Mas o apoio demonstrado ontem a Vahidi aumentou as chances de ele ser confirmado no cargo. Parlamentares gritaram ¿morte a Israel¿ durante o discurso do candidato a ministro e, num gesto dramático, um parlamentar que se opunha a Vahidi resolveu mudar de opinião depois de que o ex-comandante foi criticado pela comunidade judaica.

¿ Por causa da postura ameaçadora do regime sionista contra Vahidi, eu não apenas retiro minha oposição como votarei nele ¿ disse o reformista Hadi Qavami.

Israel, que considera o Irã sua maior ameaça internacional, protestou.

¿ As intenções do Irã vão ser testadas em oposição a suas ações, não declarações ¿ disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor. ¿ O fato de que eles tenham escolhido um terrorista procurado pela Interpol como ministro da Defesa não é exatamente prova de vontade de cooperar com a comunidade internacional.