Título: Bancos recomendam compra de ações da Petrobras, mas papéis caem
Autor: Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 02/09/2009, Economia, p. 24

Empresa só vai detalhar capitalização após aprovação do projeto de lei

Um dia após o anúncio das novas regras do pré-sal, em que as indefinições sobre a capitalização da Petrobras derrubaram as ações da empresa, as incertezas permaneceram. O presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, disse que o aumento de capital só será detalhado depois da aprovação do projeto de lei pelo Congresso, o que poderá ocorrer só em 2010.

Mas alguns bancos divulgaram relatórios elevando ou mantendo sua recomendação de compra das ações, alegando que a Petrobras se beneficiará do marco regulatório.

Mesmo assim, as ações ordinárias da empresa, prediletas dos estrangeiros, caíram 0,53%.

Os papéis preferenciais subiram 0,70%. As ADRs (recibos de ações negociados em Nova York) recuaram 1,74%. Anteontem, os papéis haviam registrados fortes perdas e, num único dia, o valor de mercado da Petrobras caiu em R$ 13,3 bilhões, segundo a Bloomberg.

O banco Credit Suisse disse que a Petrobras é uma das empresas de petróleo mais promissoras do mundo e que será favorecida pelas mudanças. O UBS afirmou estar menos preocupado com a capitalização, que poderá ser menor que o previsto. O Itaú elevou sua previsão de preço para o papel em 5% para 2010, considerando ainda o lucro do segundo trimestre e a recuperação do preço do petróleo.

Ontem, o presidente da Petrobras recorreu a um discurso nacionalista para defender as novas regras do setor. Segundo ele, até 2010 a demanda mundial de petróleo estará descasada da oferta, e será necessária a produção extra de até 75 milhões de barris por dia. Citando conflitos mundiais, ele disse que o pré-sal ¿muda o papel geopolítico do Atlântico Sul¿: ¿ Aquele que pensar que o livre mercado irá determinar as decisões de investimento das empresas está num horizonte equivocado no mercado de petróleo mundial ¿ afirmou.

Ele disse que não é possível prever o tamanho da capitalização e que o valor dependerá de uma avaliação sobre o preço que será pago por até 5 bilhões de barris que a Petrobras terá direito de explorar no pré-sal. A estimativa de analistas é que o tamanho da operação chegaria a US$ 125 bilhões, se todos os minoritários acompanhassem a oferta, considerando um preço médio de US$ 10 o barril.

¿ Qualquer número dado ao valor dos barris é especulação infundada, porque isso depende das áreas, do plano de desenvolvimento e da capacidade de produção. Isso será determinado no futuro, por contrato.

Mas Gabrielli foi irônico ao mencionar o potencial tamanho da capitalização: ¿ É uma operação absolutamente padrão no mercado de capitais. Não há nenhuma exceção.

Talvez apenas o volume seja um pouco maior que a média das operações tradicionais ¿ disse, sem conter o riso.

O diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Almir Barbassa, calculou que serão necessários mais US$ 10 bilhões para explorar o pré-sal nos próximos cinco anos. Em seu plano atual, a empresa já destina quase US$ 30 bilhões ao pré-sal.