Título: No palanque, Dilma agora centra discurso na defesa do meio ambiente
Autor: Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 03/09/2009, O País, p. 4

Ministra do PAC usa bandeira de Marina, provável adversária em 2010

BRASÍLIA. Depois de reaparecer publicamente no lançamento do marco regulatório do pré-sal, na segunda-feira, ontem a chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, voltou a ocupar espaço político em Brasília, e com um novo mote de discurso.

Na cerimônia de divulgação de projetos de abastecimento de água e esgotamento sanitário que receberão investimento de R$ 4,5 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra fez um discurso de improviso destacando as preocupações sociais e ambientais do PAC, em resposta indireta às críticas da ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva (AC) sobre a política ambiental do governo. Marina acaba de deixar o PT e se filiar ao PV e cogita disputar a eleição presidencial.

O evento contou com a presença de vários prefeitos, como Eduardo Paes, do Rio, e sete governadores, entre eles Sérgio Cabral, que obteve investimentos de cerca de R$ 270 milhões para o estado.

Ministra compara PAC ao Bolsa Família Desgastada na polêmica com a ex-ministra, que acabou deixando o governo por não concordar com a condução no caso da construção das hidrelétricas, Dilma destacou que o PAC tem preocupação social e ambiental. Num discurso pontuado de frases que lembram os pronunciamentos do presidente Lula, a ministra frisou que o PAC do saneamento significa cuidado com as águas do país, numa tentativa de mostrar que, entre suas futuras bandeiras de campanha à sucessão presidencial, estarão as preocupações ambientais.

¿ O que significa um país que deixa sua população urbana sem água tratada adequadamente, sem água captada adequadamente, sem esgoto tratado adequadamente? Primeiro, ele compromete o desenvolvimento sustentável, porque é impossível termos vida se não tivermos o respeito à água. E respeitar a água é respeitar os mananciais. Respeitar os mananciais é respeitar o meio ambiente. Então, este programa de saneamento é, em primeiro lugar, o respeito às águas deste país, ao acesso às águas para garantir qualidade de água à população ¿ afirmou Dilma.

No contra-ataque, a ministra ainda fez uma ligação entre o Bolsa Família, ao qual atribuiu o benefício da inclusão social, e o investimento em infraestrutura: ¿ O Bolsa Família é, sem dúvida, uma forma de inclusão social. Mas não foi só o Bolsa Família. Este PAC, investir em infraestrutura, é investir em distribuição de renda, mas também investir em qualidade de vida generalizada, para todos os brasileiros, independentemente da classe social.

¿Questão da pessoa humana no centro da nossa gestão¿ Dilma afirmou que o PAC do saneamento é um programa ¿eminentemente social¿ e disse que, daqui para a frente, há que se medir a capacidade dos governantes levando-se em conta os projetos por eles apresentados.

¿ Gestão será isso, e não simplesmente cortar custeio ¿ afirmou, numa crítica indireta à oposição, que tem atacado o aumento dos gastos do governo, principalmente com a folha de pagamento.

A ministra procurou ainda demonstrar que, apesar de ser vista como uma pessoa mais interessada em questões técnicas, também está preocupada com fatores sociais.

Esse é, aliás, um dos desafios de sua provável campanha presidencial: traduzir para a população que ganhos terá com os investimentos do PAC, programa do qual é considerada a ¿mãe¿, segundo o presidente Lula.

¿ Nós estamos fazendo uma gestão em que a população está no centro. A questão da pessoa humana está no centro da nossa gestão. É para eles que nós estamos fazendo.

Portanto, são obras que beneficiam o maior número de pessoas ¿ afirmou a ministra.

Lula era esperado para participar da cerimônia do PAC, mas cancelou a ida ao evento porque, de acordo com a assessoria, chegou muito tarde ontem do Rio. Sem o presidente no palanque, Dilma comandou o evento político e administrativo.