Título: Para Côrtes, desafio será mobilizar
Autor: Farah, Tatiana
Fonte: O Globo, 05/09/2009, O País, p. 4
Para quem tem plano de saúde é fácil criticar imposto, diz secretário
O grande desafio da nova proposta do governo, para o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, será mobilizar a sociedade a favor da criação do imposto. Ele planeja se reunir com conselhos de saúde e com os grupos que ficariam livres do imposto do cheque ¿ os que ganham menos de R$ 3,2 mil. A questão deverá ser discutida na reunião de segundafeira do governador Sérgio Cabral com a bancada federal do Rio, em torno da redistribuição dos royalties do petróleo.
¿ É uma contribuição que vai começar a diminuir a grave perda com a queda da CPMF. Fica fácil para quem tem plano de saúde dizer que não quer mais imposto ¿ diz Côrtes.
Os recursos da arrecadação do novo imposto, no Rio, chegariam em um cenário crônico de leitos desativados, tomógrafos fora de uso por problemas de manutenção e filas para internação na rede pública.
Apesar de o número de leitos públicos ¿ 14 mil ¿ alcançar 70% da necessidade determinada por portaria do Ministério da Saúde, falhas de infraestrutura nas redes federal, estadual e municipal tornam a internação dramática.
Diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio, Julio Tavares argumenta que a gestão ajudaria a resolver os problemas crônicos no serviço público de saúde. Entre eles está a deficiência de recursos humanos: há carência de neurologista, pediatra e ortopedista, na maioria dos casos. Segundo ele, falta investimento em concurso público.
¿ Mais do que verbas para grandes obras, a atenção básica à saúde deveria ser prioridade ¿ diz Julio Tavares.
¿O que existe é mau investimento¿, diz vereador Num exemplo de gestão polêmica, o gasto, sem uso, de R$ 26 milhões por exames, internações e consultas no Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, que levou quatro anos para ser inaugurado, está sendo investigado em uma CPI na Câmara dos Vereadores.
Um caso simbólico é o do tomógrafo comprado para o hospital: depois de dois anos sem uso, quando foi inaugurado, no ano passado, o aparelho não funcionava.
¿ O que existe é mau investimento do poder público. É preciso gastar melhor. O Rio não precisa de mais leitos, precisa de atenção básica. Mas os governantes pensam mais em obras do que em pagar pessoal ¿ critica o vereador do Rio Paulo Pinheiro (PPS), presidente da CPI do Hospital de Acari e integrante da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores.
Em hospitais estaduais, como o Getulio Vargas e o Rocha Faria, relatam médicos, há tomógrafos com defeito. O governo do estado planeja a construção de três centros de imagem para ampliar o acesso a equipamentos de diagnóstico.
¿ Nós aumentamos de mil para oito mil o número de exames com tomógrafos na rede estadual. Gastávamos R$ 130 milhões e passamos a R$ 30 milhões com exames de laboratório, que hoje é totalmente terceirizada.
A grande questão é que a Saúde efetivamente precisa de mais recurso, porque há cada vez mais pacientes. Falar que é somente uma questão de boa gestão é falácia ¿ afirma Sérgio Côrtes, que defende a pré-destinação da aplicação dos recursos, caso a idéia do novo imposto prospere.