Título: Vontade de estudar
Autor: Oliveto, Paloma
Fonte: Correio Braziliense, 12/04/2009, Brasil, p. 10

Quase metade dos brasileiros acha sua própria escolaridade insuficiente. A pesquisa do Ibope Inteligência identificou que 45% dos entrevistados estão insatisfeitos ou muito insatisfeitos com o tempo de estudo. Os jovens adultos de 25 a 29 anos foram os que mais relataram o descontentamento: 47% deles gostariam de ter escolaridade maior. As pessoas que têm da 5ª à 8ª série do ensino fundamental lideram o ranking de insatisfação, seguidas por aquelas que só estudaram até a 4ª série.

O Ibope também perguntou o que o entrevistado sentia em relação à sua qualificação para atuar na profissão que ocupa. Cerca de 55% dos brasileiros estão satisfeitos, com pequenas variações percentuais, dependendo da escolaridade. A maior diferença é quando se considera a resposta muito satisfeito. Apenas 4% dos que têm até a 4ª série pensam dessa forma, enquanto 17% daqueles com curso superior escolheram essa opção.

Na avaliação de Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, as pessoas começam a perceber, na própria pele, que a falta de escolaridade é um entrave. ¿Sabem que, se pararem onde estão, vão ficar limitadas¿, diz. Ela acredita que essa foi a parte mais reveladora da pesquisa. ¿Pela primeira vez, percebemos tão claramente essa consciência individual¿, diz.

Sem tempo Perguntados se pretendiam voltar a estudar nos próximos dois anos, 47% dos entrevistados disseram que não. De acordo com a pesquisadora, chama a atenção o fato de grande parte das pessoas que afirmaram não ter interesse em voltar às salas de aula alegaram falta de tempo ou de recursos suficientes. Entre os que possuem nível superior, as respostas mais frequentes foram ¿possui o estudo necessário para sua atividade profissional¿ e ¿já tem pós-graduação ou cursos de especialização¿.

Ana Lúcia Lima ressalta a necessidade de pensar em políticas que permitam o acesso à escola às pessoas que dizem ter pouco tempo ou dinheiro para voltar a estudar. ¿O Brasil sempre teve grandes movimentações de alfabetização de adultos, mas as condições gerais responsáveis por acolher a demanda daqueles que já não são analfabetos, mas querem continuar a estudar não estão sendo pensadas¿, acredita. (PO)