Título: Cannabis: o retorno
Autor:
Fonte: O Globo, 07/09/2009, Opinião, p. 6
TEMA EM DISCUSSÃO:O problema das drogas
Não bastando a alienação política da juventude, cogita-se agora descriminalizar a maconha, tida por "especialistas" como suposta droga leve. Estuda-se, também, o abrandamento das punições legais para os usuários e defende-se o tratamento médico para os dependentes.
Como o Ministério da Saúde, sucateado, que não consegue sequer pagar dignamente a seus profissionais, e os hospitais públicos, que, desaparelhados, atendem os pacientes em macas sem lençóis, nos corredores, tratariam os dependentes, que, além de toda uma medicação específica (desintoxicação, entre outras), carecem de longas e sofridas sessões de terapia?
Será que os proponentes da liberação desconhecem que a capacidade tóxica da maconha depende do sexo da planta, do clima e da época da colheita? Por acaso têm noção de que a erva, para aumentar sua potência, vem sendo misturada a alguns alucinógenos, além do tetrahidrocannabinol e seus isômeros, tendo sido descoberto recentemente o risco de câncer pulmonar, pela presença do benzopireno?
E a oligospermia, que significa em linguagem popular a diminuição do espermatozóide no usuário? E ainda: a maconha aumenta em cerca de 70% a incidência de surtos psicóticos em pessoas esquizóides e fronteiriças.
Sinceramente, existem problemas mais sérios neste país para que um assunto tão grave seja tratado de maneira tão superficial e oportunista, como vem sendo feito sob o incentivo dos que postulam a descriminalização das drogas.
Não é possível "beneficiar" 22% da população, constituindo-se esse percentual na faixa privilegiada das classes média e alta, que podem dar-se ao luxo de colocar a liberação como prioridade.
CARLOS VEREZA é ator.