Título: Combustíveis alternativos ainda são caros
Autor: Paul, Gustavo; Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 08/09/2009, Economia, p. 15
BRASÍLIA. O petróleo somente começará a perder mercado frente a outras formas de energia quando os produtos alternativos tiverem custos competitivos. O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Almeida, disse que não basta os combustíveis alternativos serem mais baratos. Toda a cadeia produtiva deve ser acessível à grande massa de consumidores. Os combustíveis alternativos ainda estão entrando em uso mais como política de governo, não por condição econômica.
No Brasil, o álcool consegue competir com o petróleo porque tem um custo de produção semelhante. O custo do álcool está de US$40 a US$45 o barril, semelhante ao de produção do petróleo. Hoje, no país, o mercado de álcool é maior do que o de gasolina, lembra Almeida, mas isso não acontece internacionalmente, onde ele apenas é complementar.
As mudanças tecnológicas são lentas, lembra o consultor Marco Tavares, da Gas Energy. Segundo ele, o petróleo ainda se manterá competitivo nas próximas décadas, mas deve entrar num declínio gradual com a mudança da matriz energética. É essa a aposta do governo brasileiro, que ainda não mostra preocupação de que o pré-sal se transforme num "mico", sem valor.
Mas o Brasil acompanha o resto do mundo e começa a buscar mudanças na matriz energética. Depois de consolidar o uso do etanol, tenta dar mais um passo. Em julho foi lançado, em São Bernardo do Campo (SP), o primeiro ônibus brasileiro a hidrogênio, projeto coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo.