Título: Japão reduzirá CO2
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Fonte: O Globo, 08/09/2009, Ciência, p. 22

Novo governo anuncia corte de 25% das emissões de gás-estufa

O novo primeiro ministro japonês, Yukio Hatoyama, anunciou que pretende reduzir em 25% as emissões de gases que causam o efeito estufa até 2020, tomando como base os níveis de 1990. Trata-se de uma das mais ambiciosas metas já anunciadas por uma nação rica ¿ ainda que muito abaixo dos 40% preconizados pelos cientistas. Ele condicionou o plano, porém, à implementação de medidas semelhantes de outros países durante a conferência do clima da ONU, em dezembro, em Copenhague, no qual se espera que o mundo acerte um novo acordo climático para suceder o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.

Segunda maior economia do planeta, o Japão é um dos dez maiores poluidores da atualidade, responsável por 3% das emissões globais, e deve ter um papel decisivo nas negociações na Dinamarca. O anúncio se dá poucos dias depois de a Índia, também considerada peça-chave para as negociações pós Kioto, ter assumido que vai triplicar as suas emissões de CO2.

¿ Essa era uma de nossas metas anunciadas na campanha eleitoral, ¿ afirmou Hatoyama durante um fórum sobre meio ambiente realizado ontem em Tóquio. ¿ Mas não vamos deter o aquecimento global sozinhos.

Precisamos que todos também façam a sua parte.

Decisão é elogiada pela ONU

Especialistas ressaltaram que os 25% anunciados por Hatoyama são bem mais ambiciosos do que os 8% assumidos como meta para o mesmo período pelo antigo governo, comandado por Taro Aso, conhecido aliado do setor empresarial. Hatoyama disse que o Japão vai adotar medidas rígidas para alcançar o objetivo e espera contar com o apoio de outros países.

¿ Vamos estabelecer uma estrutura que envolva todos os principais países do mundo ¿ disse Hatoyama, que deverá assumir o cargo no dia 16 de setembro.

¿ Para isso, precisaremos de apoio financeiro e tecnológico.

A decisão foi elogiada por organizações ambientalistas, que criticavam a posição defensiva do governo japonês, e também pelo secretário-executivo das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, que cobra dos países desenvolvidos metas de redução entre 25% e 40% até 2020 ¿ Com essas metas, o Japão pode assumir um papel de liderança entre as nações desenvolvidas e ajudar a chegar a um novo acordo sobre o clima ¿ afirmou ele.

Sem reservas petrolíferas próprias, o Japão usa a energia nuclear como fonte de boa parte da eletricidade consumida no país. A indústria japonesa é considerada uma das mais eficientes do mundo. Mesmo assim, o governo japonês sempre se mostrou receoso sobre o efeito na economia de maiores cortes nas suas emissões.

¿ Assim que o novo gabinete for oficializado, vou estudar passos concretos para envolver toda a comunidade internacional ¿ disse Hatoyama.

O premier eleito do Japão deve apresentar mais detalhes do plano, que ele, nada modestamente, batizou de ¿iniciativa Hatoyama¿, num encontro em Nova York, este mês.

Em Bangladesh, 20 milhões ameaçados

Uma nova pesquisa, feita em Bangladesh, confirmou o perigo que a elevação dos oceanos, causada pelo aquecimento global, representa para a população daquele país, localizado pouco acima do nível do mar.

O estudo mostra que a água salgada pode invadir terras produtivas, impedindo o cultivo de arroz, tendo um impacto direto sobre pelo menos 20 milhões de pessoas. O governo de Bangladesh, que já sofre com inundações, ciclones e tufões, pede à comunidade internacional US$ 5 bilhões para utilizar no combate às mudanças climáticas.